COB descobre o tae kwon do

O Comitê Olímpico Brasileiro está de olho nas medalhas que o tae kwon do poderá conquistar para o Brasil, principalmente no Pan-Americano do Rio, em 2007. A modalidade, sozinha, pode trazer até oito medalhas para o País e não exige altos investimentos - a pequena elite nacional de atletas do tae kwon do já começa a receber apoio. Os resultados do Mundial de Madri, encerrado domingo, ajudam. Natália Falavigna (até 72 quilos) fez história com o primeiro ouro no feminino. No masculino, depois de dez anos sem conquistas, Márcio Wenceslau (até 62 kg) ganhou a medalha de prata. O Brasil terminou em quinto lugar na classificação geral, entre 120 países (em 2001, foi 12.º e, em 2003, nem levou equipe completa). Para Natália, de 20 anos, "tudo deu certo" no Mundial, da concentração e o trabalho com o mestre coreano Pan Sun Chun até a permanência na Espanha durante o campeonato. "Soa muito bonito quando as pessoas falam da medalha. Mas foi a primeira vez que ficamos num hotel ao lado do ginásio, que sabíamos onde comer, que a equipe pôde treinar, fez concentração com conforto... Se houver investimento, ajuda para os atletas, os resultados aparecem", afirma a atleta, que luta desde os 14 anos, quando foi levada por uma amiga à Academia Pequeno Tigre, do mestre Clóvis Aires, em Londrina (PR). "Muitos atletas já foram a Mundiais só com a passagem no bolso", lembra o técnico da seleção permanente, Carlos Negrão. Desta vez, o COB pagou a viagem para Madri, R$ 122 mil, segundo a CBTkd (viajaram 16 atletas). A confederação garante que também acertou os salários atrasados dos atletas da seleção, a título de ajuda mensal, pagos com os recursos da Lei Piva (em 2005, de R$ 459 mil). Apesar de lutar há seis anos, Natália teve de contar várias vezes com a ajuda financeira da família, principalmente a dos pais, Ana Maria e Manoel. Como antes da Olimpíada de Atenas, no ano passado. "Minha mãe me perguntou o que eu precisava para ter sucesso no esporte e eu disse: ?De uma medalha olímpica.? Meu pai me deu dinheiro, fiquei com parte da herança da minha avó, meus tios, meus primos, padrinhos, todos ajudaram. Sustentaram o meu sonho e me mandaram sonhar alto", conta Natália, quarta colocada em Atenas. A atleta, que foi prata no Mundial e na Olimpíada universitários e na Copa do Mundo, ganhos em 2002 e 2003, não queria ficar de novo em segundo. "Não podia ser prata outra vez", diz a bela e charmosa Natália, do alto de seu 1,78 metro. "Costumam me perguntar se jogo vôlei ou handebol. Ninguém acha que sou lutadora." APOIO - Natália conseguiu patrocínio pessoal, da Bombril, apenas este ano - em janeiro, mudou-se para Campinas, para treinar com o técnico José Palermo Júnior, o Tilico. O tae kwon do, que passou a integrar o programa olímpico apenas a partir dos Jogos de Sydney, em 2000, ainda tem muito a evoluir no Brasil. Márcio Wenceslau, que pertence a uma família de lutadores, recebe apenas uma ajuda mensal de R$ 400 da CBTkd - garante o sustento dando aulas na academia que tem com o irmão Marcel em São Paulo. "Isso não dá nem para o transporte", observa Márcio. A partir de maio, o esporte contará com uma parceria entre a Prefeitura de São Bernardo do Campo, a Secretaria da Juventude, Esportes e Lazer do Estado, o Governo de São Paulo, o São Camilo Clube de Campo e a CBTkd para as futuras seleções. A idéia é trabalhar com a seleção A, com 16 atletas, e formar seleções B e C com novos talentos e atletas saídos de escolinhas. PELO MUNDO - O COI reconhece como sua filiada a World Tae Kwon Do Federation (WTF), a quem a Confederação Brasileira é filiada. Apenas os atletas da WTF podem representar seus países em Olimpíadas e Mundiais, explica o técnico Carlos Negrão. A Internacional Tae kwon Do Federation (ITF) tem um tricampeão brasileiro em mundiais, David Kerr.

Agencia Estado,

20 Abril 2005 | 09h16

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