COB não se ilude com resultados do Brasil em Toronto

Desempenho no Canadá não é parâmetro para a Rio-2016

Marcio Dolzan, Nathalia Garcia e Paulo Favero, Enviados Especiais a Toronto, O Estado de S. Paulo

25 de julho de 2015 | 17h00

Após brigar pelo terceiro lugar no quadro de medalhas dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) projeta um ganho entre 27 e 30 medalhas na Olimpíada do Rio, com o Brasil entre os dez melhores países. Se tomarmos por base o desempenho dos atletas que representaram o País no Pan, essa meta dificilmente será alcançada, e os dirigentes sabem disso.

"Não devemos fazer nenhuma comparação dos Jogos Pan-Americanos com os Jogos Olímpicos. Aqui estão presentes 41 Comitês Olímpicos, no Rio serão 205. No Pan existe uma concentração de países na briga pelo topo, na Olimpíada são muitos mais na disputa. Nossa meta era superar Guadalajara no número de atletas e no número de pódios, e conseguimos", afirmou o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, lembrando que os Jogos no Canadá ajudam a dar experiência aos atletas.

Ele sabe que muitos dos resultados obtidos em Toronto são insuficientes para garantir conquistas significativas na Olimpíada, apesar do aumento de pódios em relação ao Pan de Guadalajara, em 2011. Nesta edição, o Brasil conquistou muitas medalhas em modalidades nas quais a concorrência era bem menor do que vai encontrar na Olimpíada, como na natação, atletismo, vela e ginástica. Em outras, como canoagem e judô, a expectativa ainda é alta, mas ambas estão cientes de que encontrarão rivais mais fortes.

Para Marcus Vinicius Freire, diretor executivo de Esportes do COB, projeção para 2016 está mantida. "Falamos sempre que 16, 17 ou 18 modalidades vão chegar ao pódio em 2016, mas nunca listamos elas. Saímos daqui de Toronto com a mesma lista que entramos. Quando o Nuzman coloca que são brigas diferentes, ele está certo, pois os Estados Unidos não vieram para cá com o principal time. Não queremos nos enganar com o Pan", avisou. 

Um exemplo é a natação, que conquistou 26 medalhas no Pan, onde enfrentou um Estados Unidos sem suas principais estrelas. O Brasil também não contou com Cesar Cielo, cotado para pódio no Rio. Outros que podem chegar longe são Thiago Pereira, Felipe França, Etiene Medeiros e as equipes masculinas de revezamento.

Se a natação tem condições de ganhar medalha no Rio, o mesmo não se pode dizer do atletismo, que fracassou no Pan, não mostrou uma renovação como outras modalidades fizeram e mesmo diante de rivais que não eram os melhores de seus países pouco rendeu. "No atletismo estamos em um momento de transição da estratégia. Temos um diretor técnico novo, alguns treinadores foram contratados, os investimentos têm surtido efeito e não é uma competição que vai mudar os planos. Vamos conversar com a confederação para ver o que deu certo e errado", explicou Marcus Vinicius.

A vela, por exemplo, tem boas chances de subir ao pódio no Rio. A equipe ainda será definida, mas deve contar com atletas experientes como Robert Scheidt, que ficou com a prata no Pan. "Essa medalha serve como estímulo para começar mais um ciclo de preparação para 2016", comentou o atleta. Ele sabe que os brasileiros têm como trunfo o conhecimento da Baía de Guanabara.

O judô, modalidade que sempre garante pódios para o Brasil, o resultado no Pan não é motivo de preocupação. Apesar dos 13 pódios, a expectativa era um número maior de ouros. "Saímos de Toronto confiantes e fortalecidos. O Pan foi um ótimo laboratório e isso nos ajuda para o objetivo maior que são os Jogos Olímpicos", lembrou Ney Wilson, gestor técnico de alto rendimento da Confederação Brasileira de Judô.

Na ginástica, o Brasil brilhou com Arthur Zanetti na artística e com a equipe na rítmica. Ainda que o nível técnico dos competidores seja mais alto nos Jogos do Rio, o especialista nas argolas é favorito ao ouro. "A gente está estudando algumas pequenas mudanças para 2016. O objetivo é aumentar um pouco a nota de partida até porque queremos estar no pódio", contou o técnico Marcos Goto.

Surpresa no Pan, a canoagem obteve 14 medalhas, na slalom e na de velocidade. Ana Sátila e Isaquias Queiroz foram os destsques e têm chance de subir ao pódio no Rio. "Algumas modalidades evoluíram. Na canoagem slalom tivemos 100% de aproveitamento e na de velocidade o Isaquias Queiroz ganhou duas de ouro e uma de prata", elogiou Nuzman.

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Modalidades coletivas têm mais chance no Rio

Vôlei, basquete e futebol deverão disputar lugares no pódio na Olimpíada; formações das equipes serão bem diferentes

Marcio Dolzan, Nathalia Garcia e Paulo Favero, Enviados Especial a Toronto, O Estado de S. Paulo

25 de julho de 2015 | 17h00

Nas modalidades coletivas, o Brasil tem tudo para fazer um bom papel nos Jogos Olímpicos do próximo ano. Se no Pan o País chegou às finais no vôlei, basquete, futebol e handebol, as perspectivas para a competição no Rio também são boas. Até porque, com exceção do handebol, as formações serão bem diferentes.

Em Toronto, por exemplo, o futebol levou uma equipe com pouca experiência no masculino e não contou com a principal estrela no feminino. Em 2016, Neymar e Marta são nomes certos e devem ajudar a aumentar a qualidade da equipe. O ouro olímpico nessa modalidade, inclusive, nunca veio para o Brasil e a meta é quebrar o jejum. 

No vôlei, o Brasil tem muita tradição e chegou às finais olímpicas em Londres. Em casa, tanto o masculino quanto o feminino serão favoritos à medalha. Isso se aplica também ao vôlei de praia, modalidade que o Brasil costuma chegar longe e brilhar. Em todas elas, no Pan, a equipe foi representada sem sua força máxima.

No basquete, com jogadores da NBA, a seleção masculina pode chegar longe. Mas antes disso terá de resolver uma pendência com a Fiba para (Federação Internacional de Basquete) para garantir que uma das vagas olímpicas seja dada ao País.

No handebol, por sua vez, o Brasil disputou o Pan com sua equipe principal e foi muito bem. O técnico Morten Soubak, do feminino, aproveitou para fazer testes na equipe visando ao Mundial, quando a equipe defenderá o título, e aos Jogos Olímpicos.

Para a ponta Fernanda, o título em Toronto serve de estímulo para a equipe nas duas competições. “Tínhamos obrigação de vencer e a pressão estava do nosso lado. Essa medalha vale o trabalho de um ano e sabíamos que não seria fácil. Agora vamos continuar trabalhando porque será um ano muito importante para gente.”

Para Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, algumas modalidades tiveram sucesso no Pan e isso pode ser um estímulo para que façam um bom papel no Rio. “Quero dar um destaque para a equipe brasileira de polo aquático, que teve grande evolução técnica. E para o rúgbi, que estreia em 2016, conquistou uma medalha inédita no feminino.”

Ele também citou os saltos ornamentais, levantamento de peso, hipismo CCE e adestramento, tiro esportivo, badminton, pentatlo moderno e ciclismo de pista. De todas elas, o pentatlo é quem mais tem chance de pódio no Rio com Yane Marques.

No tênis, o Brasil tem boas chances nas duplas, com Marcelo Melo e Bruno Soares. Em Toronto representaram o País jovens atletas que não tiveram bons resultados. No tiro com arco, Marcus Vinicius D’Almeida pode surpreender. E na maratona aquática e no triatlo o Brasil tem potencial para brigar pelo pódio e ajudar a garantir algumas medalhas para o País nos Jogos de 2016. 

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