COB pede Lei de Incentivos Fiscais

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) realizou hoje a terceira prestação de contas, desde a regulamentação da Lei Agnelo/Piva, em julho de 2001, onde mais uma vez evidenciou-se que os recursos destinados ao esporte no País estão distante do necessário. Apesar da morosidade do processo, após quatro anos de vigência da Lei, que passou a ter seus dividendos utilizados em 2002, foi nítida a evolução das modalidades esportivas no País, assim como alguns erros de investimentos. Em 2004, o Fundo Olímpico, que recebe 85% dos 2% da renda bruta das loterias esportivas do País - os 15% restantes são do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) - totalizou R$ 70.045.094,65. Deste montante, 15% foram destinados ao Esporte Escolar e Universitário, e R$ 59.538.331,32 ao COB e confederações, distribuídos pelas 42 modalidades olímpicas. Apesar de o COB ainda ficar com a maior parte dos R$ 59 milhões (R$ 28.156.312,51), 42 modalidades esportivas dividiram no ano passado, R$ 27.540.000,00, de acordo com critérios estabelecidos pela entidade. E, justamente por ser visto como uma espécie de "Salvador da Pátria", os recursos da Lei Agnelo/Piva exacerbam a fragilidade financeira das confederações. O patrocínio é a principal saída para a melhoria do quadro financeiro, mas das 42 modalidades, dividida por 29 confederações filiadas ao COB, apenas 16 possuem este tipo de parceria. Apesar de integrar os quadros da entidade, o futebol permanece sem receber os recursos, por não apresentar projeto. "Muitas empresas optaram por fazer algo segmentado e patrocinar o atleta individualmente", disse o diretor técnico do COB, Marcus Vinícius Freire. Outro dado revelador das dificuldades das confederações são o número de modalidades que contam com fornecedor de material esportivo: 11. Além disso, apenas seis possuem sedes próprias, nove são cedidas e 14 alugam os locais de funcionamento. "Estamos melhorando a cada ano e sempre procurando corrigir alguma coisa. Tivemos bons resultados na ginástica, mas também um excelente trabalho foi realizado", observou Marcos Vinícius. Em seguida, ressaltou um ponto negativo da aplicação da Lei Agnelo/Piva em 2004. " No Atletismo, achamos que treinamos muito tempo na Europa, antes da Olimpíada de Atenas, e os atletas chegaram cansados aos Jogos." Por causa das dificuldades financeiras das confederações, que limita o desenvolvimento do esporte brasileiro, e por achar que a Lei Agnelo/Piva representa um terço do montante ideal, o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman enfatizou em seu discurso a necessidade da Lei de Incentivos Fiscais. "Gostaria de reiterar a necessidade de uma lei de incentivos fiscais ao esporte, o que beneficiaria não só ao COB e às confederações, mas também a atletas, clubes, federações, enfim, a todos os projetos de desenvolvimento do esporte nacional", disse Nuzman, em uma mensagem gravada, porque se recupera de uma cirurgia no coração, em casa.

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