COB resgata fatos e heróis olímpicos

O registro da memória olímpica do País está no livro Sonho e Conquista, o Brasil nos Jogos Olímpicos do Século XX - de Antuérpia, em 1920, a Sydney, em 2000 - com 481 páginas e 900 fotos. O livro será lançado amanhã, pelo Comitê Olímpico Brasileiro, no Rio. Foram editados 3 mil exemplares, que serão distribuídos para instituições e bibliotecas. O livro será vendido numa segunda fase do projeto.A elaboração da obra levou um ano e meio.Os 19 capítulos, numa divisão seqüencial por ano, são abertos e fechados com fotos. O texto situa o leitor, relacionando o que ocorria no Brasil e no mundo com a participação dos atletas nos Jogos. "Um retrato de época", afirma Christiane Paquelet, diretora do Departamento Cultural do COB.No fim de cada capítulo, quadros técnicos com os resultados de cada atleta, obtidos em relatórios oficiais do COB, dos comitês organizadores e Comitê Olímpico Internacional (COI). "Foi difícil obter riqueza de detalhes de antes da metade do século, como as parciais dos atiradores da equipe medalha de bronze em 1920." São dois setores, explica Ana Luísa Escorel, da Ouro sobre Azul Design e Editora, um lúdico e outro técnico. "É completo do ponto de vista editorial e ao mesmo tempo prazeroso."O maior desafio foi obter as fotos e equalizar as imagens. As fotografias da primeira metade do século exigiram um trabalho de pesquisa em bancos de dados, acervos de jornais e revistas e arquivos pessoais. Foram consultados os arquivos de atletas idosos ainda vivos, como João Havelange, de 89 anos (esteve nos Jogos de 1936 como nadador e nos de 1952 como jogador de pólo aquático), e da nadadora Maria Lenk, de 90 anos, primeira mulher sul-americana a ir a uma Olimpíada."Para obter imagens entre 1920 e 1960, recorremos a 66 bancos diferentes", diz Christiane. Uma das fotos do bicampeão olímpico Adhemar Ferreira da Silva, de 52, foi obtida no Museu do Esporte da Finlândia.O livro traz as participações dos brasileiros em todos os Jogos. João Gonçalves Filho, por exemplo, não ganhou medalha, mas foi a cinco edições dos Jogos: Helsinque/52 e Melbourne/56, como nadador, e Roma/60, Tóquio/64 e Cidade do México/68, como jogador de pólo aquático. E voltou em Barcelona/92 como chefe da equipe de judô.Emoção? A de ter sido porta-bandeira no desfile de abertura, em 68. "É uma honra." Lembra-se das medalhas de Adhemar Ferreira da Silva (ouro em 52 e 56) e de Nélson Prudêncio (prata em 68) no salto triplo.O livro é riquíssimo em informações. E desperta outras memórias pessoais que nem couberam na edição. Dos Jogos de Roma, os primeiros mostrados ao vivo pela TV, Amaury Antonio Pasos tem as melhores recordações. Amaury, de 69 anos, disputou a Olimpíada de Melbourne/56 e estava na conquista do bronze em Roma/60 e Tóquio/64, após os títulos mundiais, em 59 e 63.Amaury ainda não viu o livro, mas tem vivo na memória o congraçamento na Vila Olímpica, em Roma, "uma Olimpíada charmosa, com a maratona passando pelo Coliseu". "Pena que só treinávamos e jogávamos." Lembra da convivência com grandes mitos, alguns arrogantes, como o alemão Armin Hary, vencedor dos 100 m no atletismo, que se recusou a dar um autógrafo. "Em compensação, John Thomas, bronze no salto em altura, andava na Vila com a medalha no pescoço."Participante de quatro olimpíadas - a primeira há 49 anos, em Melbourne -, Wlamir Marques lembra do quanto foi difícil chegar à Austrália. "Demorou tanto que cheguei fora de forma", disse, rindo, sobre as 86 horas de viagem num avião da PanAm.Dono dos dois bronzes com o basquete, Wlamir foi porta-bandeira na cerimônia de abertura em Tóquio. E não esquece da organização detalhista e do ensaio geral no Estádio Nacional lotado. "Deram um papelzinho com o horário exato em que eu deveria começar a marchar."

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