Wander Roberto/COB
Wander Roberto/COB

COB vai ao mercado em busca de novos patrocinadores

Entidade quer recursos privados para garantir melhor treinamento dos atletas e obter bom desempenho nos Jogos Pan-Americanos

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2019 | 04h30

Para não depender tanto dos recursos das loterias federais, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) está fazendo um trabalho no mercado para atrair novos patrocinadores e parceiros. Recentemente anunciou a Ajinomoto até dezembro de 2020 e acertou com a Match para ser a revendedora oficial de ingressos para os Jogos de Tóquio.

“Desde que assumimos estamos buscando novos caminhos. É evidente que não podemos nos acomodar e estamos sempre prospectando no mercado”, explicou Paulo Wanderley, presidente da entidade.

Na semana passada, a Caixa chegou a suspender o repasse da Lei Piva, oriundo de recursos das loterias federais, a pedido da Secretaria Especial do Esporte. Isso colocaria em risco o planejamento final para os Jogos Pan-Americanos, evento que contará com 492 atletas brasileiros. Mas depois do susto inicial, a situação voltou ao normal.

“Neste momento está tudo normalizado. Segue o fluxo de caixa e os nossos planejamentos. Nesse momento não temos preocupação e é óbvio que o Brasil depende desses recursos, como é óbvio para a Holanda e para o Reino Unido. No Congresso Olímpico Brasileiro, os gestores desses países comentaram essa situação de receber dinheiro público. Agradecemos e por força de lei recebemos esse recurso, que não acredito que ele vai parar”, disse Wanderley, citando exemplos de sucesso no esporte olímpico.

O impacto do dinheiro da Lei Piva é enorme para o COB e as confederações esportivas nacionais. Só para se ter uma ideia, este ano a estimativa da entidade é que vai receber cerca de R$ 250 milhões dessa fonte. Mas nem por isso a busca por parceiros privados foi negligenciada, muito pelo contrário. A intenção é atrair novos patrocinadores que ajudem a fortalecer o esporte brasileiro.

“Nós não podemos falar de valores dos contratos, mas são receitas importantes sobretudo nesta reta final do ciclo de Tóquio. Mais do que isso, são uma amostra de que o mercado volta a estar aquecido e atento ao novo momento do COB e ao potencial que o esporte tem como plataforma para as marcas e de engajamento com a sociedade”, comentou Manoela Penna, diretora de comunicação e marketing do COB.

Ela se refere ao patrocínio da Ajinomoto e agora da Match, uma empresa que presta serviços para a Fifa e que em 2014, na Copa do Mundo realizada no Brasil, teve sua imagem arranhada por causa da prisão de seu CEO, Raymond Whelan, acusado de integrar uma quadrilha de cambistas. “Nós pedimos esclarecimentos sobre as notícias publicadas à época. A Match não tem nenhuma pendência jurídica ou legal que a impeça de prestar serviços. Tanto que foi aprovada também sem restrições pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para ser Revendedora Oficial de Ingressos (ATR) para o Brasil e para a Rússia”, contou Manoela.

O COB convidou cinco empresas para apresentar suas propostas para ser ATR no Brasil. Todas com experiência no ramo e em hospitalidade: ACV Air, Cartan, JTB, ATPI e Match. Foram avaliados alguns critérios específicos: estrutura de operação no Brasil e no Japão; relacionamento e conhecimento de mercado; histórico olímpico e em grandes eventos esportivos, um item exigido pelo COI; plano de negócios e plano de ativação de vendas; e proposta financeira ao COB.

No final, a Match acabou sendo a escolhida. “Temos certeza de que a chegada desse player tão relevante do mercado de hospitalidade e ticketing, com um longo e bem-sucedido histórico em Copas do Mundo da Fifa, vai agregar enormemente ao Movimento Olímpico”, lembrou Manoela, citando ainda que são exigidos uma série de documentos da empresa e garantias inclusive de seguros.

Três perguntas para Paulo Wanderley, presidente do COB:

1. Qual a expectativa para a participação do Time Brasil em Lima?

Temos vários concorrentes olímpicos fortes. É muito importante e queremos o maior número de classificação olímpica para Tóquio. É isso que a gente quer buscar.

2. Existe alguma meta para ficar à frente de outros países no Pan?

Queremos superar os grandes adversários. É sempre bom enfrentar a excelência porque com isso você se torna excelente também. Enfrentar EUA, Cuba, Canadá, alguns países específicos em determinadas modalidades, como Colômbia e Venezuela, é sempre gostoso e importante ficar à frente deles.

3. Você já está bem confortável na presidência do COB?

É uma experiência que soma desafios, mas a minha visão particular é que estamos superando todos no dia a dia.

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