Suzanne Plunkett/Reuters
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COI acredita que judoca saudita irá ao tatame, mesmo sem o véu

'Ela (Wodjan) lutará de acordo com o princípio e espírito do judô', disse Marius Vizer, presidente da FIJ

Wilson Baldini Jr, Enviado especial / Londres, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2012 | 03h06

LONDRES - A polêmica envolvendo a judoca Wodjan Allí Seraj Abdulrahim Shaherkani, da Arábia Saudita, parece ter chegado ao fim. Membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) estão convencidos de terem feito os dirigentes do país árabe a deixar a atleta participar das competições na categoria peso pesado (acima de 78 quilos), sexta-feira, na ExCel Arena, em Londres, apesar de ter sido impedida de utilizar o véu pela Federação Internacional de Judô (FIJ). "Ela lutará de acordo com o princípio e espírito do judô", disse Marius Vizer, presidente da FIJ, confiante que o caso esteja encerrado.

A judoca saudita está na chave contrária à da brasileira Maria Suellen e não devem se enfrentar. Só aconteceria em uma final.

Shaherkani, de 18 anos, é uma das duas mulheres da delegação da Arábia Saudita nos Jogos de Londres. O país, ao lado de Brunei e Catar, levou pela primeira vez mulheres às olimpíadas. Anteriormente, esses países achavam que a participação feminina era contra a sua natureza. A Arábia foi a última a aceitar a ideia.

Segundo Mark Adams, porta-voz do COI, que confirmou a reunião entre os dirigentes, "a conversa foi bastante positiva e a chance de um acordo é bastante grande". Nenhum representante da Arábia Saudita quis comentar o caso.

No início do mês, uma autoridade árabe havia dito que as mulheres de seu país deveriam obedecer as leis islâmicas para disputar os Jogos. Países muçulmanos conservadores entenderam que seriam usados véus, além de vestimentas com mangas compridas e saias longas.

"Nós temos uma semana para ela competir. Seu nome está inscrito e acho que assim vai permanecer", disse Nicolas Messner, porta-voz da FIJ.

Direitos humanos. Além de Shaherkani, Sarah Attar, nos 800 metros do atletismo, é a outra atleta saudita nos Jogos de Londres. "O COI luta há muito tempo para garantir um equilíbrio entre todas as modalidades. A presença dessas atletas é muito importante e positiva para o esporte. Estamos falando de direitos humanos e as mulheres têm esse direito", disse Jacques Rogge, presidente do COI.

Bahiya Al-Hamad foi a porta-bandeira do Catar na cerimônia de abertura. Para a atleta de tiro, de 19 anos, esta será a primeira aparição numa competição internacional, tal como para a compatriota, Nada Arakji, da natação. Brunei vai contar com Maziah Mahusin para correr os 400 metros com barreiras.

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