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COI adia decisão de cassar bronze olímpico de Armstrong

Jacques Rogge, presidente da entidade, acha que cabe primeiro à União Ciclista Internacional anular participação do ciclista na Olímpiada de Sydney/2000 por doping

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

05 de dezembro de 2012 | 18h15

LAUSANNE – Criando constrangimentos entre cartolas, o COI decidiu adiar qualquer decisão de retirar do ciclista Lance Armstrong sua medalha de bronze conquistada nos Jogos de 2000 em Sydney. O argumento dado pelo presidente do COI, Jacques Rogge, foi de que o obstáculo era legal e que cabia primeiro à União Ciclista Internacional (UCI) anular a participação do americano do evento.

 

A decisão causou revolta entre membros do COI, que queriam a entidade na vanguarda da luta contra o doping e um sinal forte a outros atletas.

 

Armstrong teve seus sete títulos da Volta da França anulados por causa das revelações de doping e praticamente uma década do ciclismo foi afetada.

Rogge, porém, explicou que caberia à UCI notificar o americano da decisão de borrar todos seus resultados desde 1998, medida que ainda poderá ser questionada legalmente por Armstrong. “Só então poderemos tomar uma decisão”, declarou.

 

Na prática, a anulação da medalha do americano poderá levar meses ainda para ocorrer. No COI, dirigentes acreditam que seria um equívoco deixar o ciclista manter sua medalha, depois das revelações de que ele fez parte de um dos sistemas mais sofisticados de doping.

 

Em outra decisão, o COI decidiu retirar as medalhas de quatro atletas que participaram dos Jogos de Atenas de 2004, incluindo um ouro. A decisão foi tomada oito anos depois do evento. Naquele momento, os testes de doping não revelaram irregularidades nas amostras de sangue e urina dos atletas. Mas, quase uma década depois, os novos sistemas de controle conseguiram detectar substâncias ilegais, o que escancara a diferença entre os avanços no doping e os avanços do combate ao doping. Os atletas desclassificados são Yuriy Bilonog, da Ucrânia, Ivan Tskikhan e Irina Yatchenkoda, da Bielorussia, e a russa Svetlana Krivelyova.

 

O COI tem o direito de fazer os testes com as amostras até oito anos depois do evento. Mas Rogge quer que o prazo seja ampliado para dez anos. “Quanto mais tempo dermos, mais a ciência avançará.”

 

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