COI ajuda ginástica brasileira

O despreparo dos profissionais do Brasil é uma das preocupações do técnico da seleção brasileira de Ginástica Olímpica, o ucraniano Oleg Ostapenko, que renovou seu contrato nesta quarta-feira, na sede do Comitê Olímpico Brasileiro, no centro do Rio. Considerado pela comunidade esportiva como um dos três melhores treinadores do mundo, ele estava com os salários atrasados e só permaneceu no País por causa de um convênio com o Comitê Olímpico Internacional. "Na Rússia, somente podem ser técnicos de sua modalidade e, se formar na universidade, quem foi atleta", explicou o treinador ucraniano. "No Brasil, ainda sinto a falta de conhecimento nos treinadores?, comparou. Apesar de estar no País desde abril, Ostapenko ainda não se adaptou aos problemas comuns do esporte brasileiro e disse estar frustrado por não ter tido a oportunidade de começar seu trabalho com as ginastas. A previsão é a de que a partir do dia 14 de janeiro, nove atletas passem a treinar e morar no Centro de Treinamento de Curitiba, sob sua supervisão. Uma delas será Daiane dos Santos, quinta colocada no individual geral do Mundial da Bélgica, disputado em novembro. Além da língua portuguesa, outro obstáculo para Ostapenko tem sido a dificuldade de entender a estrutura do esporte no Brasil. Ele lembrou que em países como a Ucrânia e a Rússia, os atletas que são convocados para a seleção passam a treinar juntos e continuam tendo seus salários pagos pelo clube. "Não há este tipo de divisão, como aqui." Ostapenko permanece no Brasil até setembro de 2004, depois da realização do Jogos Olímpicos de Atenas, e terá seu salário de US$ 3 mil mensais pago pelo projeto Solidariedade Olímpica, do COI. Entre as obrigações que o treinador terá de cumprir estão a implementação de um programa de identificação de talentos, além do gerenciamento geral da seleção brasileira de Ginástica. Sobre Daniele Hypólito, a primeira brasileira a conquistar uma medalha em um Mundial (prata nos exercícios de solo), Ostapenko disse ter gostado de seu potencial. "Acredito que ela terá chances de conquistar uma medalha olímpica", afirmou o treinador, que já trabalhou com atletas campeãs olímpicas como Tatiana Lisenko, em Barcelona, 1992. Empolgada pelos resultados obtidos no feminino, a presidente da Confederação Brasileira de Ginástica, Vicélia Florenzano, explicou que o próximo objetivo será desenvolver a modalidade masculina. Para isto, a verba do projeto Solidariedade Olímpica, que foi investida na preparação das atletas até os Jogos de Sydney, será utilizada para o desenvolvimento dos homens. Durante os 15 meses que antecederam à competição na Austrália, a entidade recebeu um total de US$ 72 mil. A próxima etapa do projeto, visando aos Jogos de Atenas, ainda não teve seus valores estipulados pelo COI.

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