COI avisa Lula: política não conta

Jacques Rogge manda recado ao presidente brasileiro: fatores extras serão ignorados na escolha da sede

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2009 | 00h00

O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, mandou um recado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva: questões geopolíticas não serão consideradas na escolha da sede de 2016. Para ele, contarão os aspectos técnicos. "Os Jogos são para os atletas."O Rio concorre com Chicago, Madri e Tóquio. Hoje, as cidades têm a última chance de apresentar seus projetos aos membros do COI. A votação final será em 2 de outubro. Até lá, a estratégia adotada pelo Brasil para conseguir votos é a de convencer membros de países latino-americanos, africanos e árabes de que a cidade representa países em desenvolvimento. "A busca por apoio segue as linhas da política externa brasileira, de aproximação entre os países do Sul", afirmou o ministro do Esporte, Orlando Silva. Na noite de segunda-feira, o Rio organizou uma jantar para delegados africanos com poder de voto. O COI explicou que essa atuação é legal, mas presentes e oferecimento de dinheiro não são permitidos. América Latina, África e Oriente Médio estão entre as prioridades de Lula. No COI, não são governos que votam, mas os brasileiros imaginam que a posição adotada nas relações exteriores do País podem servir como referencial. Em julho, parte da delegação do Rio vai a um evento na Nigéria atrás de votos. A ofensiva dos brasileiros e o envolvimento de Lula se transformaram em polêmica. O presidente esteve na Suíça nos últimos dias e pediu para ir ao COI mostrar seu apoio. Mas as regras da entidade não permitem que pessoas de fora da candidatura se pronunciem. Lula, então, convocou a imprensa para dar seu recado. Pediu que o COI "não limitasse a Olimpíada aos países ricos". A declaração causou constrangimento, afinal, foi vista como um ataque às outras cidades. O fato é que, em outubro, Lula estará na Dinamarca para ouvir o anúncio da cidade-sede. Mas terá companhias ilustres. Tóquio levará membros da família real. E Chicago terá seu principal nome: Barack Obama.

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