COI confirma eliminação do Rio de Janeiro

Em um anúncio feito hoje em Lausanne e que foi cercado de críticas por parte da delegação brasileira, o COI revelou que a cidade carioca ainda não estava preparada para concorrer pelo evento e citou o tema da segurança e de infra-estrutura como alguns dos fraquezas da candidatura brasileira. Das nove cidades que concorriam, cinco foram selecionadas de forma unânime pelos dez membros do Comitê Executivo do COI para a fase final: Paris, Londres, Madri, Nova Iorque e Moscou. Além do Rio, Havana, Leipzig e Istambul foram excluídas do processo que será concluído em 2005. Apesar de estar surpreendido com a decisão, o presidente da Confederação Olímpica Brasileira (COB), Carlos Nuzman, garantiu: o Brasil apresentará uma nova candidatura para 2016. "Um dia sediaremos os jogos", afirmou, lembrando que de agora em diante os esforços estarão concentrados no Pan-Americano de 2007. Assim que o anúncio foi feito, o ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, ligou de Lausanne diretamente para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para lhe comunicar a decisão do COI. Lula havia visitado o COI no início do ano para tentar convencer a entidade a aceitar a candidatura carioca. Na ocasião, o presidente do COI, Jacques Rogge, já havia alertado de que uma visita presidencial não seria suficiente para garantir os jogos. Mas mesmo com a ducha de água fria de hoje, Nuzman continuava a afirmar que o Rio tinha um "excelente projeto", que era "elogiado por todos" e que "estava no caminho certo". "Estamos surpresos. Aprendemos mais uma lição", afirmou. Essa foi a segunda vez que o Rio se apresentou como candidata e a terceira derrota do Brasil no COI se somada a fracassada candidatura de Brasília para os Jogos de 2000. Gianna Angelopoulos-Daskalaki, coordenadora dos Jogos de Atenas deste ano, afirma ter vivido a mesma experiência do Rio. "Entendo como é preparar tudo e ser eliminado. Mas é uma decisão que devemos respeitar.A Grécia a respeitou para os Jogos de 1996 e, depois, para 2004, nós ganhamos", afirmou. Para 2012, um dos argumentos do Brasil era de que a América do Sul jamais havia recebido o evento e que estava na hora disso ocorrer. Para Rogge, porém, "o objetivo não é ir a novos países, mas oferecer os melhores jogos olímpicos". "Se vamos a uma cidade onde os Jogos não serão bons, trairemos os atletas", completou. Rogge ainda afirmou que o COI "não precisa justificar suas escolhas" e que são as candidatas que devem provar que tem a capacidade de organizar um evento com qualidade. "Pegamos para 2012 as cidades que acreditamos que tenham maior possibilidade de realizar os Jogos. As demais não estão totalmente prontas, mas espero que voltem no futuro", disse o presidente do COI. Nuzman reconhece que estaria no momento de debater no COI se deve haver uma rotação entre os continentes para receber os Jogos. O brasileiro, porém, deixa claro que aceita a exigência da qualidade colocada por Rogge. "Temos consciência de que estamos em um continente com dificuldades naturais", afirmou. Para 2016, a delegação brasileira não descarta avaliar candidaturas de outras cidades do País. Nuzman, porém, insiste que a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio em 2007 seria uma "alavanca" para que a cidade volte a concorrer, já com uma infra-estrutura em melhores condições. "Temos que aproveitar o Pan e dar uma demonstração de força e de organização. Temos que fazer um Pan ainda melhor que pensávamos", afirmou. Nuzman ainda rejeita rumores de que pelo fato de o Brasil ser o grande favorito para receber a Copa do Mundo em 2014, candidaturas do País para as Olimpíadas de 2012 ou 2016 estariam prejudicadas. "Temos que continuar tentando. Paris perdeu por três vezes e agora é uma das favoritas. É difícil para todos", completou.

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