COI: crise financeira não afetará Jogos Olímpicos

Rogge acredita que investimentos no esporte continuarão apesar do momento conturbado do mundo financeiro

EFE

30 de setembro de 2008 | 16h17

O belga Jacques Rogge, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), disse nesta terça que a atual crise financeira não afetará a organização dos próximos Jogos, sejam eles de inverno ou de verão, assegurando que o financiamento está praticamente assegurado.Os próximos Jogos Olímpicos serão os de inverno, em 2010, na cidade canadense de Vancouver. Já Londres será palco dos de verão, dois anos depois. Rogge acredita que o COI receberá ainda mais fundos para ambos os eventos. O dirigente disse que, considerando os Jogos de Pequim, as receitas do COI serão de US$ 3 bilhões para um período de quatro anos, sendo 80% delas vindas das competições na capital chinesa.Do total de receitas, 92% serão destinados para promover o esporte nos países em desenvolvimento através das federações olímpicas nacionais. O dirigente deu estas declarações numa entrevista coletiva em Genebra para fazer um balanço dos Jogos de Pequim. Ele reiterou o "extraordinário" êxito do evento, lembrando que 87 países ganharam medalhas - muito acima dos cerca de 60 em Atenas. Rogge destacou a quebra de um número de recordes mundiais sem precedentes em Pequim: 43 no total. Outro aspecto foi a forte cobertura da imprensa, com a presença de 32 mil jornalistas e um aumento de 20 a 30% na audiência de televisão em relação aos Jogos de Atenas.O presidente do COI lembrou os esforços para combater o doping, o que levou 40 esportistas a serem descobertos "em flagrante delito" antes do início das competições. "O doping é um problema que não será resolvido nunca, mas agora somos mais críveis que nunca", acrescentou.Além disso, o dirigente esportivo destacou o legado deixado pelos Jogos Olímpicos na China em termos de infra-estruturas esportivas, de preocupação pelos problemas ambientais e de uma melhor percepção das pessoas com algum tipo de deficiência pelo sucesso dos Jogos Olímpicos.Perguntado sobre o silêncio das autoridades chinesas diante dos casos de leite infantil contaminado - que vieram à tona no início de setembro -, Rogge disse que "não é um caso ligado ao COI ou aos Jogos".Ao responder sobre as críticas de que a entidade não deu atenção à repressão da liberdade de expressão antes, durante e depois dos Jogos, o dirigente disse: "Não podemos esperar que o COI seja a panacéia e resolva todos os problemas do mundo".Ele respondeu da mesma forma quando pedido para que reagisse às críticas pela escolha da cidade russa de Sochi como sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 apesar de o país ser alvo de duras críticas pelo tratamento aos direitos humanos e a recente guerra com a Geórgia. "Sochi foi escolhida com base na qualidade dos valores do esporte na Rússia", respondeu Rogge. Embora tenha reconhecido que há "evidentes considerações geopolíticas", disse que estas não existiam há um ano, quando foi feita a escolha.

Tudo o que sabemos sobre:
Jogos OlímpicosCOI:Jacques Rogge

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.