Denis Balibouse/Reuters
Denis Balibouse/Reuters

COI pede 'sentido de urgência' para organizadores do Rio-2016

Jacques Rogge, presidente do COI, cobra rapidez nas obras de transporte, hospedagens e locais de competição, especialmente o golfe

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

05 de dezembro de 2012 | 19h09

LAUSANNE – Falta aos organizadores dos Jogos de 2016, no Rio de Janeiro, um "sentido de urgência" na preparação do evento, principalmente no que se refere às obras de infra-estrutura e os locais que serão usados pelas diversas modalidades, principalmente o golfe. O alerta foi dado pelo presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, ao ser questionado pelo Estado em sua última coletiva de imprensa do ano, nesta quarta-feira. O belga, que se afasta do estilo adotado pela Fifa, optou por uma mensagem diplomática, mas não sem um tom de alerta.

 

"Indicamos basicamente que estamos felizes com progresso no Rio. Mas pensamos que eles precisam ter um maior sentido de urgência, porque o tempo está passando", declarou. Há dois dias, o COI já havia indicado que, diante dos problemas que se acumulavam no Rio, havia chegado o momento de alertar que o "tempo estava se esgotando". Rogge deixou claro que a preocupação se refere principalmente às obras de transporte, hospedagens e locais de eventos. "Definitivamente isso é algo que precisa ser resolvido o mais rapidamente possivel", disse Rogge.

 

"Um exemplo (das preocupações) é o golfe", afirmou. O terreno designado pelos organizadores para a modalidade é ainda alvo de disputas. Mas o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, garantiu ao COI que uma solução está sendo encontrada.

 

Mudança na distribuição de ingressos

 

O COI também admitiu que, para o Rio de Janeiro, terá de refazer radicalmente seu sistema de distribuição de ingressos. O Comitê de Ética do COI confirmou que a cúpula de pelo menos quatro comitês olímpicos nacionais usaram as entradas que receberam para Londres-2012 para revendê-las no mercado negro.

 

Uma delas foi o comitê olímpico grego, punido por desviar entradas. Seu presidente, Spyros Capralos, tentou argumentar que a venda no mercado negro tinha como objetivo arrecadar dinheiro para financiar a preparação de atletas. Mas o argumento não foi aceito e o COI disse que o dirigente manchou a "reputação" do movimento olímpico. Cartolas da Lituânia, Sérvia e Malta também foram pegos vendendo entradas.

 

O que deixou o COI preocupado é que, além desses países, uma série de outros também foram identificados. Mas os nomes não foram divulgados. Nesses casos, o COI vai "trabalhar junto com os envolvidos" para garantir que o desvio de entradas não volte a ocorrer no futuro. Mark Adams, porta-voz do COI, garante que a entidade vai se lançar na elaboração de um novo sistema de distribuição de entradas que evite alimentar o mercado negro. "Esse novo sistema será adotado já para a Rio-2016", garantiu.

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