Thomas Bach/Reuters<br>
Thomas Bach/Reuters

COI quer mudar processo de escolha de sedes olímpicas

Comitê Olímpico Internacional estuda fazer as candidaturas através de 'convite', explica o presidente da entidade Thomas Bach

Estadão Conteúdo

23 de outubro de 2014 | 21h05

A junta executiva do Comitê Olímpico Internacional (COI) se reuniu por dois dias em Montreux, na Suíça, e aprovou 40 propostas que serão votadas em reunião do plenário da entidade no início de dezembro em Mônaco.

Um dos principais pontos é a reforma do processo de candidaturas olímpicas, que assumirá mais a forma de um "convite" para conversas do que a de inscrição em um processo seletivo.

Mudar o processo de candidaturas é uma das prioridades do presidente do COI, o alemão Thomas Bach. O assunto ganhou força após a recente retirada de Oslo, capital da Noruega, da disputa para sede dos Jogos de Inverno de 2022, deixando apenas duas cidades remanescentes: Pequim (China) e Almaty (Casaquistão).

Essas candidaturas são cada vez mais criticadas pela opinião pública das cidades envolvidas, assustadas com os custos estratosféricos de realização destes eventos. A cidade russa de Sochi organizou a última edição da Olimpíada de Inverno, em janeiro deste ano, ao custo de US$ 51 bilhões (o que equivale a R$ 126 bilhões).

Thomas Bach disse que o objetivo é mudar o processo para que se torne algo parecido com um "convite para discussões e parceria com o COI". "No futuro, queremos convidar cidades que potencialmente podem se candidatar a estudar como os Jogos Olímpicos podem se inserir em seu ambiente social, esportivo, econômico e ecológico e depois apresentar seu plano para nós", explicou. "Aí estaremos prontos a conversar e dar nosso conselho ao invés de julgar o que nos for apresentado".

Bach disse com satisfação que existe um forte interesse de cidades que podem vir a se candidatar a sede dos Jogos Olímpicos de 2024. Segundo ele, entre os potenciais candidatos há cidades dos Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, África do Sul e Catar.

O pacote de reformas é o cerne da "Agenda Olímpica 2020", os planos de Bach para o futuro do movimento olímpico. As visitas de membros do COI a cidades aspirantes continuam proibidas. O veto foi instaurado no bojo do escândalo da compra de votos, em 1999, para a vitória da candidatura de Salt Lake City, nos Estados Unidos, para sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002. Dez membros renunciaram ou foram expulsos por terem aceito dinheiro, presentes ou viagens. "Espero que os membros da minha junta executiva me perdoem, mas não haverá mudanças nesse sentido".

Outra proposta importante é a flexibilização do programa de esportes, abrindo a possibilidade de o beisebol e o softbol, esportes popularíssimos no Japão, serem incluídos nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Os planos de se instituir um canal de televisão olímpico também ganharam apoio.

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