Com 163 quilos, Rafael Silva busca ser mais agressivo

Com 2,03 metros, peso pesado brasileiro utilizou boa parte de seus treinos para aprimorar a pegada no quimono do adversário

Wilson Baldini Jr., ENVIADO ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2012 | 03h05

Na concentração da equipe de judô em Sheffield, Rafael Silva às vezes, por incrível que pareça, passa despercebido entre seus colegas. Ele mede 2,03 metros e pesa 163 quilos. Vai enfrentar no dia 3 alguns dos homens mais fortes da Olimpíada. Mas nada disso tira a fala baixa e calma ou altera os gestos tranquilos e lentos do representante brasileiro na categoria dos pesos pesados (acima de 100 quilos).

Com rosto de garoto, Rafael, de 25 anos, é apelidado de Baby. "Ele é muito na dele. Calmo demais. É companheiro e todos no grupo torcem bastante por ele", afirmou Luiz Shinohara, técnico da equipe masculina.

Mas, para enfrentar os grandalhões como ele, Rafael utilizou boa parte de seu treinamento para buscar maior agressividade. E um dos pontos focados pelo judoca e comissão técnica foi a pegada no quimono do adversário, responsável por quase 80% das vitórias na categoria mais pesada do judô. "Sei que este é um dos meus defeitos. Insisti muito nos treinos. Com uma boa pegada, tenho confiança e equilíbrio para aplicar o golpe e não receber o contra-ataque", disse o atleta, que luta em alto nível apenas há cinco anos.

Outro ponto de destaque na preparação de Rafael foi o combate à gordura corporal. Após um trabalho feito com as nutricionistas da equipe, o judoca passou a ter 145 quilos sem gordura. "Eu me sinto mais rápido e mais forte."

No Mundial por equipe, ano passado, em Paris, Rafael fez um combate equilibrado com o fortíssimo francês Teddy Riner, pentacampeão mundial - o brasileiro acredita que o rival entra na competição como grande favorito ao ouro.

E quais são as chances do judoca nascido em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, terceiro no ranking mundial e um dos cabeças de chave da competição? "Vai depender do sorteio. Vou para cima deles", disse, sempre com o sorriso no rosto.

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