Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Com estrelas africanas, Brasil vira coadjuvante na São Silvestre 2016

Jejum de vitórias será difícil de reverter na prova em São Paulo, neste sábado

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

30 de dezembro de 2016 | 19h28

A tradicional corrida de São Silvestre, com largada neste sábado a partir das 8h40, será de novo uma disputa em que os brasileiros são zebra para terminarem na frente os 15 km. A corriqueira aposta de domínio africano ganha força neste ano pela presença de uma elite formada por vencedores da prova e uma campeã olímpica contra donos da casa de currículo mais modesto.

A principal competidora do País reconheceu se ver mais como fã do que como rival das africanas. “Estou com vontade de tirar umas ‘selfies’ com elas. É incrível. Nunca imaginei que estaria brigando e correndo com essas mulheres. Isso está sendo muito incrível”, disse a paranaense Joziane Cardoso, enquanto olhava discretamente para o lado, onde estavam as africanas, favoritas da prova.

As principais apostas são em Jemima Sungong, do Quênia, medalha de ouro na maratona dos Jogos do Rio e vencedora da Maratona de Londres neste ano, e Ymer Wude Ayalew, etíope tricampeã da São Silvestre e que vai disputar pela quinta vez a prova.

O poderio africano faz a brasileira não ter expectativas muito elevadas. "O nível delas é alto, então temos que ser realistas. Se acontecer um imprevisto grande, quem sabe. Só de estar entre as cinco primeiras seria ótimo", comentou Joziane, quinta colocada em 2015.

O jejum de vitórias brasileiras na São Silvestre feminina já dura dez anos. A prova de 2006, aliás, é a única da história em que o País ganhou tanto entre os homens como entre as mulheres, com Franck Caldeira e Lucélia Peres. 

Apesar de estar na 92.ª edição, apenas em 1945 a São Silvestre abriu a participação para estrangeiros e somente em 1975 foi criada a versão feminina.

Desde então, foram somente 11 vitórias brasileiras masculinas e outras cinco das mulheres. Neste ano a corrida terá a presença de representantes do Quênia, Etiópia, Tanzânia, Bolívia, Colômbia e Alemanha.

O desempenho modesto dos brasileiros na prova se explica principalmente pela curta distância. Antigos campeões da corrida, como Franck Caldeira e o agora aposentado Marilson do Santos, acabaram por preferir o foco nos treinamentos para as maratonas, em vez dos 15 quilômetros da corrida pelas ruas de São Paulo.

NOVA TENTATIVA

Entre os homens, a principal esperança brasileira é o mineiro Giovani dos Santos, que nos últimos anos foi o melhor do País na prova, com dois quintos e outros dois quartos lugares. Além dele, as apostas são em Gilberto Lopes, e Vagner Noronha, respectivamente terceiro e quinto colocado na Maratona de São Paulo.

Os corredores tem uma concorrência menos assustadora do que a compatriota brasileira, se for considerado o currículo dos principais concorrentes.

O grande favorito da prova masculina é o etíope Dawit Admasu, campeão da 90.ª edição da São Silvestre, disputada em 2014. "Estou preparado para ganhar novamente a corrida aqui no Brasil. Treinei bastante para isso", contou. O atleta reclamou do calor e comentou que a temperatura será um duro obstáculo na prova.

O outro estrangeiro cotado é o queniano Willian Kibor, ganhador da Meia Maratona de Las Vegas, neste ano. Ele passou os últimos meses treinando no Norte do Paraná para se ambientar ao Brasil e ter um bom desempenho na corrida.

"É a minha segunda São Silvestre. Gosto daqui de São Paulo e da presença do público nas ruas. Espero que isso me ajude a melhorar o resultado do ano passado", afirmou o corredor, que foi o nono em 2015.

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