Janine Cardoso/ABEE
Janine Cardoso/ABEE

Com oito brasileiros, Mundial de Escalada começa com status 'olímpico'

Torneio começa nesta quinta-feira, em Innsbruck, na Áustria, com as principais equipes do mundo

Catharina Obeid e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 07h06

O Brasil vai participar do Mundial de Escalada com a maior delegação de sua história. O evento da modalidade, que agora faz parte do programa olímpico e estreará nos Jogos de Tóquio, será disputado desta quinta-feira a 16 deste mês em Innsbruck, na Áustria. O SporTV 3 transmitirá as finais da competição e a primeira será no sábado, às 14h.

“Nosso nível técnico ainda tem muito a evoluir. De junho a agosto, seis atletas disputaram etapas do Circuito Mundial com hotel, alimentação e hospedagem pagas”, conta Janine Cardoso, vice-presidente da Associação Brasileira de Escalada Esportiva (ABEE), lembrando que a equipe brasileira terá quatro homens e quatro mulheres competindo na Áustria.

No Mundial, as principais potências são Japão, Áustria, Eslovênia, França, Itália e Alemanha. O Brasil estará representado por Pedro Nicoloso, Jean Ouriques, Cesar Grosso e Felipe Ho, um atleta de grande potencial. No feminino estarão Thais Makino, Patrícia Antunes, Luana Riscado e Camila Macedo.

“Nosso planejamento foi direcionado para uma imersão no Circuito da Copa do Mundo com os melhores do ranking. Temos um Circuito Brasileiro bem estruturado desde a temporada de 2014”, diz Janine, que foi atleta da modalidade. “Nossa entidade é supernova, mas está aumentando o número de praticantes de escalada”, diz.

A Associação foi fundada em 2014 e se filiou à Federação Internacional de Escalada Esportiva. Depois foi reconhecida pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil). E, a partir deste ano, passou a receber recursos da Lei Agnelo/Piva, sua única fonte de receita. A verba deste ano (R$ 719.696,97) permitiu, entre outras coisas, que a Associação bancasse os atletas em eventos internacionais e agora no Mundial. “O COB nos abraçou quando a escalada entrou para o programa olímpico. Nosso planejamento é tentar uma vaga olímpica. Ela pode ser conquistada pelo Pan, mas aí a gente faz seletivas contra EUA e Canadá. É difícil, mas estamos trabalhando para alcançar isso da melhor forma possível”, explica Janine.

Diferentemente do que muitos imaginam, a escalada esportiva que estará presente em Tóquio-2020 não inclui percursos montanhosos e ao ar livre como a modalidade tradicional. Na Olimpíada serão 20 vagas para homens e 20 para mulheres, com o limite de duas vagas por país. A reivindicação dos atletas era que cada modalidade tivesse uma competição separada, ou seja, um pódio para boulder, outro para dificuldade e um terceiro para velocidade – as três categorias. Mas o COI não aceitou e definiu medalha para a soma dos pontos nos três.

Entenda o esporte

Diferente do que muitos imaginam, a escalada esportiva que estará presente em Tóquio-2020 não inclui percursos montanhosos e ao ar livre como a modalidade tradicional. Na próxima Olimpíada, o programa vai consistir na disputa de três categorias diferentes: Boulder, Dificuldade e Velocidade. 

Boulder: 

A única das categorias onde não se usa corda. Em vez disso, para a segurança dos atletas, são usados colchões específicos. Este tipo de competição é caracterizada por vias curtas, de até 4,5 metros, mas de bastante dificuldade. 

Na prova, o competidor tem um determinado tempo para completar o máximo de percursos. Sendo assim, sua pontuação é calculada através da dificuldade da via e da quantidade de tentativas para completá-la.

A pontuação também inclui um extra: a figura da agarra bônus, que é destacada das demais. Todo competidor que alcançá-la recebe pontos extra, mas a quantidade depende do número de vezes que demorou para conseguir. 

Dificuldade:

A competição também chamada de lead, em inglês, utiliza cordas e segurança com equipamentos específicos. Nesta prova, como o nome já sugere, o principal critério é a dificuldade das vias - que têm também como característica serem longas. 

Ganha quem chegar mais longe. Lembrando que não basta alcançar o ponto mais alto, mas também ter o “controle” da agarra, que pode ser traduzido como se estabilizar na posição. O tempo, neste caso, só conta como último critério de desempate.

Em geral, as competições são divididas em classificatórias e finais. No entanto, semifinais também podem ocorrer em competições com muitos atletas. As vias mudam conforme o campeonato e a fase em que se está.

Velocidade:

É a modalidade mais simples de todas, levando em conta que a única coisa que conta é o tempo levado para completar o percurso de graduação relativamente baixa. Nessa modalidade, o diferencial é que o percurso é homologado e, portanto, em todos os campeonatos oficiais é o mesmo. 

Nesta competição cada competidor possui apenas uma tentativa. Na prova, as agarras que têm formato diferente das demais são distribuídas pelo muro de 15 metros de altura. Cada uma das vias precisam ter um número total de 20 agarras de mão e 11 agarras de pés. 

 

 

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