Com rótulo de musa, Luiza Almeida será em Londres a única representante do Brasil no adestramento

A competidora ainda não sabe se usará nos Jogos o cavalo Samba ou Pastor

Paulo Favero, estadão.com.br

23 de junho de 2012 | 07h56

SÃO PAULO - Única representante da América Latina no adestramento nos Jogos de Londres, a jovem brasileira Luiza Almeida está fazendo sacrifícios para tentar obter um bom resultado na Olimpíada. A garota de 20 anos carimbou seu passaporte ao ser a melhor das Américas do Sul e Central no ranking mundial e agora faz sua preparação em Hamburgo, na Alemanha, com Dolf Keller, um treinador de nível internacional do Rocas do Vouga Team. "Estou aqui sozinha e com muita saudade da família e do arroz e feijão do Brasil."

Com uma carreira meteórica, ela ganhou o bronze no Pan do Rio de Janeiro, em 2007, com apenas 15 anos, e no ano seguinte participou de sua primeira Olimpíada, em Pequim, tirando de Rodrigo Pessoa o posto de mais jovem atleta do hipismo na história dos Jogos. Apesar de ter ficado na 40.ª posição, Luiza acha que a experiência na China a ajuda a encarar o novo desafio olímpico.

"Em qualquer esporte, mas principalmente no adestramento, ter experiência é essencial. Na hora da prova é preciso estar frio, para não passar sentimento ruim para o cavalo, pois ele sente. Ter disputado uma Olimpíada dá uma certa tranquilidade."

Sua rotina na Alemanha é bem puxada, com quatro horas de treinamento na parte da manhã e igual período à tarde. Por estar sem a família, consegue manter o foco e sua atenção não se desvia para nada. "Mas é muito corrido." Apesar do trabalho forte visando chegar bem aos Jogos, ela sabe que não tem grandes chances. "Tenho de ser sincera e, infelizmente, acho que não dá para conseguir uma medalha", diz, citando os favoritos. "São três nações que estão muito fortes: Inglaterra, que investiu muito, Alemanha e Holanda. Mas os cavalos podem se assustar na competição e isso, às vezes, muda alguma coisa."

Sua maior admiração é pela campeã olímpica Isabell Werth, que tem cinco medalhas de ouro. É na atleta alemã que ela busca inspiração. "Quero ser a melhor do mundo e conquistar uma medalha olímpica." Ela sabe que tem todo um país torcendo por ela em Londres. "Ser não apenas a única representante do Brasil, mas de toda América Latina, é muita responsabilidade. Mas tento levar essa pressão para o lado positivo e procuro fazer com que isso me ajude."

DIFÍCIL ESCOLHA

Luiza tem até o próximo sábado para tomar uma grande decisão: escolher qual cavalo pretende levar para Londres. Ela tem uma relação de amor com Samba, seu primeiro animal. Mas também está treinando com Pastor, mais jovem e bastante talentoso. "Se fosse pelo coração, já teria escolhido o Samba. Ele costuma ter uma grande regularidade."

Mas o máximo que ele pode dar não é suficiente para a menina brilhar. Já Pastor está evoluindo e em processo de entrosamento com a amazona. É um cavalo de altos e baixos. "Só que quando ele vai bem, vai muito bem e pode ir longe." Assim, a decisão está mexendo com Luiza, que por enquanto tende a usar o Pastor.

Além do talento em cima do cavalo, Luiza também chama a atenção pela beleza. A cada competição de que participa é considerada musa, mas consegue lidar bem com esta situação. "Eu tento relevar bastante, o motivo pelo qual apareci na mídia foi pelos resultados dentro da esporte", lembra. De qualquer forma, o Brasil sabe que terá uma bela representante na competição de adestramento dos Jogos Olímpicos de Londres.

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