Paulo Mumia|Divulgação
Paulo Mumia|Divulgação

CBTKD quer três medalhas no tae kwon do com nova tecnologia

Campeonatos nacionais usam equipamentos iguais aos do Rio 2016

Gustavo Zucchi, O Estado de S. Paulo

20 de abril de 2016 | 10h00

O Brasil tem uma grande ambição para 2016: passar de apenas uma medalha de bronze no tae kwon do, conquistada em Pequim-2008 (pela lutadora Natália Falavigna), para três pódios em quatro provas que os brasileiros irão participar no Rio 2016. Para alcançar a proeza de uma Olimpíada quase perfeita, o reforço que a Confederação Brasileira de Tae kwon do (CBTKD) conta chegou ao País em 2013. Desde então, todas as competições nacionais utilizam a mesma tecnologia que define vencedores e perdedores no tatame olímpico.

No esporte, a proteção do peito, da cabeça e dos pés é equipada eletronicamente para apontar quando há toque, e assim, passar aos juízes com precisão quando efetivamente os pontos devem ser marcados. As meias são magnetizadas e os coletes contêm sensores de impacto desde 2012. No capacete, os sensores vão estrear no Rio de Janeiro. Em aproximadamente 0,1 segundo, os dados chegarão aos computadores dos juízes, que terão ainda o auxílio de replays para definir quem ficará com as medalhas.

O ponto importante de ter essas tecnologias antes da disputa da Olimpíada é que a introdução desses equipamentos mudou a forma de se praticar e treinar o tae kwon do. Quem explica é Alexandre Lima, diretor técnico da CBTKD. "Mudou completamente a forma do treinamento tático das lutas. Elas passaram a ter uma dinâmica diferente. Houve uma mudança na forma de você lutar. Os atletas e os técnicos tiveram de se adaptar a essa nova tecnologia. Antes você não treinava determinados chutes, porque não eram pontuados e hoje você trabalha isso. Você também precisa trabalhar muito a parte defensiva", explica. 

O investimento, foi feito por meio da CBTKD a partir de 2012 e os itens foram distribuídos para diversas federações. Hoje, todas as competições nacionais têm o mesmo sistema que será utilizado no Rio 2016. A expectativa é que com atletas melhor preparados, novos ídolos surjam no esporte, já que o preço de tais equipamentos não auxilia na popularização da modalidade. "A gente tem uma situação antagônica. A tecnologia é fundamental para que tenhamos atletas de alto rendimento dentro dos padrões internacionais. Mas em contrapartida é um material caro para todos os atletas. Quem está começando, não vai começar com todo o aparato, se ele quiser evoluir, crescer, vai precisar dos equipamentos eletrônicos", afirma o diretor da CBTKD.

POLÊMICAS

Presente nos Jogos Olímpicos desde Sydney 2000, o tae kwon do traz na bagagem algumas polêmicas. Em 2008,  Sarah Stevenson, da Grã-Bretanha, chegou a ser eliminada antes de ficar com a medalha de bronze devido a um erro da arbitragem. O ponto que garantiu o terceiro lugar no pódio só foi revisto após replays dos canais de televisão mostrarem que o golpe foi válido. "É lógico que pode haver erro do sistema, mas a justiça da luta é muito mais clara, definida pela pontuação direta dos atletas. Não tem nenhum tipo de recurso quanto ao meio eletrônico, que não é aceito", afirma Alexandre Lima.

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