Com tom dramático, Brasil encara Equador

Além de não ter Neymar e os zagueiros titulares, comissão técnica está preocupada com a [br]irritação dos jogadores

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2011 | 00h00

A partida contra o Equador, na madrugada de hoje para amanhã, à 0h10 (de Brasília), ganhou tons dramáticos para a seleção brasileira. A vitória devolve a confiança à equipe comandada por Ney Franco, que vem de derrota por 2 a 1 diante da Argentina, e a mantém no topo da classificação do hexagonal final do Campeonato Sul-Americano, competição que classifica os quatro melhores para o Mundial da categoria, em julho, na Colômbia, e os dois primeiros colocados para os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Um revés, porém, complica de vez o sonho olímpico. O Brasil é o atual segundo colocado, com seis pontos (ao lado da Argentina) e veria o Equador, que tem cinco, ultrapassá-lo. O uruguaios, que enfrentam os argentinos, lideram a competição com sete.

O drama brasileiro está concentrado nos problemas que Ney Franco tem para montar o time. Acostumado a ter todos os atletas à disposição - o Brasil entrou com a mesma formação nas três primeiras rodadas da fase decisiva -, o tropeço diante dos principais rivais parece ter detonado uma série de contratempos. Neymar, artilheiro do time, com sete gols, e principal estrela do Sul-Americano, está suspenso por ter recebido o segundo cartão amarelo. O mesmo se aplica ao zagueiro Juan, expulso no último jogo. Para piorar, a zaga perdeu também o capitão Bruno Uvini, que sofreu lesão na fíbula e voltará ao Brasil para seguir seu tratamento.

Como se não bastassem as ausências de três titulares, a comissão técnica tem demonstrado muita preocupação com o aspecto emocional do grupo. Desde a goleada por 5 a 1 sobre o Chile, na abertura do hexagonal, os jogadores deram sinais de que "pegam pilha", ou seja, se irritam com muita facilidade. Diante dos argentinos esse problema só ficou ainda mais evidente. Mesmo sem declarações polêmicas por parte dos adversários, os brasileiros entraram no jogo nervoso, comportamento que resultou na expulsão de Juan logo aos seis minutos de partida e no cartão amarelo que tirou Neymar do encontro com os equatorianos.

O receio entre os integrantes da delegação é de que a derrota no principal clássico da competição, aliada ao fato de o time ter perdido a liderança do hexagonal e contar com três desfalques crie uma pressão com a qual os jogadores tenham dificuldade de lidar. "Todos sabem que fizemos um bom jogo contra a Argentina. Mesmo com um a menos em campo, jogamos de igual para igual", afirmou o treinador brasileiro. "Mas essa irritação, esse lado emocional precisa mesmo ser trabalhado."

O time. Na zaga, as alternativas são óbvias. Nas vagas de Bruno Uvini e Juan entram os outros dois zagueiros, Romário e Saimon. A dúvida está no ataque. Ney Franco não tem atletas com as mesmas características de Neymar. No entanto, a tendência é de que opte por Diego Maurício, nome recorrente nas últimas partidas e que recebeu elogios do treinador. "Nossa equipe não é dependente do Neymar. Seremos um time forte e a tendência é que façamos uma mudança simples, de um atacante por outro. O Diego Maurício é a opção mais provável."

Entre a delegação equatoriana, o clima é de confiança. Questionados sobre a força da seleção brasileira, jogadores e integrantes da comissão técnica costumam lembrar duas passagens. A primeira delas é o primeiro jogo contra os brasileiros, na fase de classificação. O Brasil venceu por 1 a 0, gol de Henrique, encontro marcado pelo equilíbrio. "Também fizemos um bom jogo contra a Argentina. Nosso confiança está em alta", lembrou o técnico Sixto Vizuete, referindo-se à vitória sobre a equipe de Juan Iturbe.

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