Rafael Carneiro/Estadão
Rafael Carneiro/Estadão

Começa a contagem regressiva para os Jogos Pan-Americanos de Santiago

Em 2023, capital chilena sediará pela primeira vez a competição continental

Rafael Carneiro, enviado especial a Santiago, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2019 | 04h30

Daqui a quatro anos, o já tradicional canto "chi-chi-chi-le-le-le" será ainda mais ecoado pelos eufóricos torcedores nas ruas, em ginásios, campos e nos mais diversos locais de provas. Pela primeira vez na história, o Chile receberá uma edição dos Jogos Pan-Americanos e o país já começou a contar os dias para o início competição, que acontecerá na capital Santiago entre outubro e novembro de 2023.

Nos bastidores, os preparativos já começaram. Além do logo da competição, lançado no mês passado, o presidente da República, Sebastián Piñera, apresentou no final de 2018 a Corporación Santiago 2023, que será responsável pela organização do evento. O grupo é formado nove membros e conta com ex-atletas, como Fernando Gonzáles, medalha de ouro no tênis nas Olimpíadas de Atenas (2004), além de representantes dos Comitês Olímpico e Paralímpico do Chile, e profissionais do ramo da administração de projetos esportivos.

“Estamos em um ano de planejamento. Até dezembro, vamos avaliar os locais que possivelmente receberão as competições e também criaremos um calendário de provas para cada modalidade. Com isso feito, 2020 será de implementação, de início das obras”, afirma Karl Samsing, presidente da Corporación Santiago 2023.

Segundo o projeto apresentado pelo governo, a maioria das competições ocorrerão em Santiago, porém algumas delas vão acontecer em cidades que estão a até 90 km de distância da capital chilena. É o caso das litorâneas Valparaíso e Viña del Mar, que deverão receber provas de vela e triatlo, e de Los Andes, que receberá a canoagem. Em Santiago, o chamado “Corredor Bicentenário” concentra vários polos esportivos e receberá mais de 70% das competições. Um deles é o Parque Estádio Nacional, que será a casa da natação, do tênis e do atletismo, cujo as provas acontecerão no estádio principal. Ele, que já foi palco da Copa do Mundo de 1962, dos Jogos Sulamericanos em 1986 e 2014, e da Copa América 2015, também contará com as finais do futebol e as cerimônias de abertura e encerramento.

De acordo com a ministra do Esporte, Paulina Kantor, como muitas instalações esportivas já existem, elas passarão apenas por reformas e adequações. Um exemplo é a Arena Movistar, situada no Parque O’higgins, em pleno centro da cidade. Ela abrigará as partidas de basquete. “Sobre as novas construções, já anunciamos o campo de hóquei, que será muito importante para o país, pois não temos campos públicos no Chile”, diz Paulina.

Considerado um dos países mais desenvolvidos de todo o continente americano, a próxima sede do Pan sofre com sérios problemas de obesidade entre os seus habitantes. Um informe da ONU, divulgado em julho deste ano, mostra que quase 4 milhões de adultos chilenos são obesos. É a segunda maior taxa da América Latina. “Os Jogos Pan-Americanos podem ir mais além do evento. Queremos que eles ajudem a criar no país uma consciência da importância de se fazer atividade física, praticar um esporte, e que isso seja incorporado como um valor no cotidiano de cada um em prol de uma melhor qualidade de vida. Esse é o legado que queremos deixar”, afirma a ministra.

Governo chileno prevê menos gastos na realização do Pan-Americano

Sede dos próximos Jogos Pan-Americanos, em 2023, o Chile pretende ser mais econômico em suas obras de infraestrutura, sejam elas viárias ou esportivas. O orçamento previsto é de US$ 400 milhões (R$ 1,6 bilhão). “Alguns podem dizer que é pouco, mas nós, do governo, avaliamos que é o necessário, pois já contamos com algumas instalações esportivas e elas necessitam apenas de reformas”, afirma a ministra do Esporte, Paulina Kantor.

Ao contrário do ocorrido em Lima, a Vila Pan-Americana de Santiago será fruto de uma parceria público-privada e o seu custo, de U$ 200 milhões, não está incluído no orçamento do governo. Com um total de 2.028 apartamento divididos em 24 torres, a futura casa dos atletas será construída no Parque Bicentenário de Cerrillos. O local conta boa infraestrutura de transporte e está há poucos minutos do Estádio Nacional, principal polo esportivo do Pan.

Corredora, Érika Oliveira (43) é a atleta chilena com mais participações em Olimpíadas e Jogos Pan-Americanos. Esteve em cinco edições do Pan, ganhando medalha de ouro em Winipeg (1999) e de bronze em Santo Domingo (2003). Hoje deputada, Érika é autora de um Projeto de Lei que prevê a destinação dos apartamentos da Vila Pan-Americana para os atletas nacionais após a competição. “Ao contrário de outros países, no Chile, os esportistas não são considerados trabalhadores. Portanto, não são permitidos a eles os subsídios habitacionais, como o crédito hipotecário, porque não têm como justificar a renda. Por isso propus esse PL”, explica a ex-maratonista.

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