Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

Comitê Olímpico dos EUA se desculpa com vítimas de Larry Nassar

Na abertura dos Jogos de Inverno, presidente do comitê afirma que vai investigar casos de abuso sexual

O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2018 | 19h33

O presidente do Comitê Olímpico dos Estados Unidos, Larry Probst, pediu desculpas às vítimas de abuso sexual de Larry Nassar, ex-médico que integrou a equipe americana de ginástica, reconheceu que o “sistema olímpico fracassou”. O médico abusou de ginastas campeãs olímpicas como Simone Biles, Gabby Douglas, Aly Raisman e McKayla Maroney.

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“Para as mulheres, aquelas que escolheram prestar depoimento ou aquelas que não, nós dizemos o seguinte: “o sistema olímpico fracassou e nós pedimos desculpas de forma incondicional”. Palavras não podem expressar a raiva que o conselho e a liderança do USOC, e eu pessoalmente, sentimos pelo que os abusos de Larry Nassar provocaram nessas jovens mulheres e em suas famílias”, disse o presidente do comitê dos Estados Unidos em PyeongChang, na Coreia do Sul, no início dos Jogos de Inverno. 

Nassar abusou de pelo menos 200 mulheres aos longos de mais de 20 anos em que trabalhou com medicina esportiva. Ele foi condenado em dois julgamentos diferentes pelos crimes. No primeiro, concluído em janeiro, Nassar foi condenado a 175 anos de cadeia. Em outro, finalizado nesta semana, Nassar recebeu pena de 125 anos de prisão. Além disso, ele havia sido punido com 60 anos de detenção por pornografia infantil. 

Probst afirma que as histórias de abuso mostram como “o sistema falhou ao não protegê-las”. O USOC instaurou uma comissão independente para investigar as pessoas que receberam informações sobre os abusos. “O que vivemos nos Estados Unidos é extremamente doloroso em vários níveis, principalmente pelas mulheres envolvidas. Devemos a todos uma investigação transparente e profunda. E é isso que vai acontecer”, afirmou, sem definir o prazo final para as investigações. 

Paul Parilla, Jay Binder e Bitsy Kelley, presidente do conselho de diretores, vice-presidente e tesoureira do conselho, respectivamente, pediram demissão da Federação de Ginástica dos EUA durante o julgamento de janeiro. 

O presidente do Comitê Olímpico dos Estados Unidos admitiu que “foi um erro” o USOC não ter tido um representante durante o julgamento de Nasser. “Deveríamos ter feito mais. Não vamos nos absolver de responsabilidade. O sistema olímpico e os Estados Unidos falharam com as atletas. E somos parte dos Estados Unidos”, afirmou. 

 

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