Kevin Lamarque / Reuters
Kevin Lamarque / Reuters

Comitê Olímpico e Paraolímpico dos EUA exigirá vacinação contra a covid-19 para os Jogos de Inverno

"A realidade crua é que essa pandemia está longe do fim", afirmou Sarah Hirshland, chefe executiva do USOPC

Andrew Keh, The New York Times

27 de setembro de 2021 | 20h00

Os atletas olímpicos americanos que competiram nos Jogos de Tóquio neste verão foram incentivados, mas não obrigados, a se vacinarem contra a covid-19. Mais de 80% deles finalmente receberam suas doses. Mas não haverá opção para os atletas que quiserem participar da próxima temporada dos Jogos. O Comitê Olímpico e Paraolímpico dos Estados Unidos anunciou que todos os atletas e membros da equipe que frequentam os centros de treinamento e demais espaços da organização precisarão estar completamente vacinados até 1º de novembro.

A organização também disse que até 1º de dezembro qualquer atleta competindo para representar o país nos Jogos de Inverno, agendados para começarem em 4 de fevereiro em Pequim, com as Olimpíadas seguidas pelo início das Paraolimpíadas em 4 de março, precisarão mostrar o comprovante de vacinação para poderem participar da delegação da equipe americana.

O Comitê Olímpico Internacional não anunciou a exigência de vacinação para os Jogos de Pequim. "A realidade crua é que essa pandemia está longe do fim", escreveu Sarah Hirshland, chefe executiva do USOPC, em uma carta comentada no New York Times. "Esse passo vai aumentar nossa capacidade de criar um ambiente seguro e produtivo para os atletas e para a equipe da delegação americana, e nos permite restabelecer a consistência no planejamento, preparação e serviços para os atletas."

A nova política, divulgada inicialmente pela Associated Press, leva o USOPC um passo adiante da maioria das ligas profissionais esportivas norte-americanas, pois nenhuma delas exigiu que os atletas estivessem vacinados para competirem. A decisão reflete a severidade da crise mundial de saúde em curso bem como a incerteza persistente sobre os tipos de protocolos de saúde e medidas preventivas que serão implementados pelos organizadores dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos em Pequim.

As vacinas não foram exigidas para os Jogos de Tóquio deste verão, que foram adiados por um ano por causa da pandemia. Em julho, Jonathan Finnoff, diretor médico executivo do USOPC, disse que cerca de 83% dos atletas olímpicos americanos foram vacinados para as Olimpíadas de Tóquio. E o IOC estimou que mais de 80% de todos os atletas olímpicos hospedados na vila olímpica de Tóquio estavam completamente vacinados.

A nova política do USOPC chegou em meio a muitas especulações sobre as regras que, atletas, autoridades, membros da equipe e jornalistas enfrentarão na China, onde lockdowns generalizados e severas quarentenas foram bastante comuns durante a pandemia. Atletas e autoridades estão se preparando para um conjunto de medidas de segurança, incluindo a possibilidade de longas quarentenas e a implementação da chamada bolha ao redor dos Jogos.

Assim como foi feito para os Jogos de Tóquio, o IOC vai publicar uma espécie de manual no próximo mês detalhando suas regras preliminares e os planos para prevenir a disseminação do vírus nas Olimpíadas de 2022. Vinte e oito atletas testaram positivo em Tóquio na preparação para as Olimpíadas de Verão e durante a competição.

O IOC criou um único conjunto de regras para os participantes das Olimpíadas em Tóquio, gerenciando os Jogos como se ninguém tivesse sido vacinado. Resta saber se atletas vacinados terão outros privilégios em Pequim.

Para além dos Jogos de Inverno, a exigência de vacinação do USOPC se aplicará a todos os atletas americanos que esperam competir em Jogos Paraolímpicos futuros, Pan e Parapan e Jogos Olímpicos da Juventude.

A organização deixou em aberto a possibilidade dos atletas receberem isenções médicas ou religiosas, que eles precisariam obter até 1º de novembro.

Hirshland disse em sua carta que a política teve o apoio do conselho consultivo dos atletas do USOPC. Ela acrescentou que a decisão foi “posteriormente reforçada pela aprovação da vacina da Pfizer pela Food and Drug Administration e pelas exigências recentes do governo federal.” /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

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