Fábio Maradei
Fábio Maradei

Comitê Organizador de Tóquio-2020 banca surfe no litoral do Japão

Japoneses ficam encantados com piscina de ondas de Kelly Slater, mas pretendem manter a competição olímpica na praia

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2017 | 07h02

Os organizadores dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, acompanharam o evento-teste na piscina de ondas de Kelly Slater, nesta semana, e ficaram encantados com o que viram. “Ficamos impressionados”, disse o Comitê Organizador. Apesar disso, no momento não existe o interesse de mudar o planejamento para a estreia do surfe no programa olímpico.

+ INFOGRÁFICO - Conheça a piscina de ondas de Kelly Slater

Os japoneses pretendem levar a competição para Chiba, no litoral do país, onde costuma ter boas ondas. Mas é aí que reside um empecilho grande: e se no dia marcado o mar estiver calmo? Para o brasileiro Gabriel Medina, que surfou as ondas na piscina de Kelly Slater e, inclusive, ganhou o evento com atletas profissionais, o debate ainda vai ser grande até uma definição nos Jogos Olímpicos.

“Os japoneses estavam lá vendo como a onda funciona. Eles deixaram claro que querem usar o mar, mas numa Olimpíada precisa ter dia e hora marcada para a competição, então tem de ter onda naquele horário, não é igual ao Circuito Mundial que a gente tem uma janela de 12 dias e escolhe os três melhores para fazer a etapa. É um pouco mais complicado, então acredito que possa ter uma piscina lá”, comentou.

O brasileiro brilhou nas novas ondas de Slater, na Califórnia, superando adversários como Mick Fanning, John John Florence, Filipe Toledo e Adriano de Souza, entre outros. “Eu achei a onda demais, muito parecida com a onda do mar. No começo estava um pouco perdido, mas com treino dá para ficar bom naquele tipo de onda”, explicou o atleta.

Slater passou mais de dez anos fazendo experiências e testando a tecnologia para simular condições bem parecidas com as do mar. E no primeiro grande teste, os surfistas foram unânimes em elogiar as condições oferecidas. Já existe, inclusive, a possibilidade de usar a mesma tecnologia para replicar a experiência em outros países, inclusive no Japão, Brasil e França, que receberá os Jogos de 2024.

Para o Comitê Organizador Tóquio-2020, a ideia é fazer a competição na praia. “Foi muito impressionante ver e experimentar que a tecnologia pode fazer com que as pessoas gostem de surfar, mesmo que não haja mar. No entanto, não temos um plano para usar esta tecnologia nos Jogos Olímpicos. Planejamos organizar a competição de surfe nas ondas oceânicas naturais. Tóquio-2020 quer aproveitar a vantagem geográfica do Japão, que é cercado pelo mar. Continuamos trabalhando para tornar o evento de surfe olímpico um sucesso.”

Existem argumentos contra e a favor de realizar a competição de surfe no mar. Em boas condições, é o local ideal para testar os atletas e colocá-los à prova. Também ajuda a mostrar parte do litoral do Japão para o mundo. Mas por depender da natureza, a competição corre o risco de ser um fiasco caso não tenha ondas no dia programado. Na piscina, o formato de competição permite condições iguais de disputa para quem surfa com o pé direito ou esquerdo na frente. E também pode ser feito em arena fechada, com venda de ingressos. O debate tem tudo para continuar.

 

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