Comitê recua e adota obras provisórias na Marina da Glória

Após brigar por meses na Justiça para viabilizar a construção de uma garagem na Marina da Glória, local das provas de vela dos Jogos Pan-Americanos, o Comitê Organizador do evento (CO-RIO), além de recuar e aceitar erguer instalações provisórias, admitiu que o lugar não seria usado para guardar as embarcações. Nesta segunda-feira, após um encontro com a procuradora Gisele Porto do Ministério Público Federal, o presidente da entidade Carlos Arthur Nuzman informou que o modelo a ser adotado será semelhante ao utilizado durante a realização da regata de volta ao mundo, Volvo Ocean Race, em março 2006 ? com instalações provisórias, utilizando tendas móveis. ?Disseram que a garagem era imprescindível e confundiram o judiciário. O Pan foi uma desculpa para aprovar uma obra que não poderia ser aprovada?, frisou Porto. De acordo com a procuradora, o primeiro projeto defendido pelo CO-RIO, que previa a construção de uma garagem de 19 mil metros quadrados sobre a Baía de Guanabara, era considerado ?imprescindível? pelos organizadores. Mas ela confessou ter sido surpreendida ao ser informada por Nuzman que as provas de vela podem ser realizadas sem a garagem. Ao assumir esta postura, o presidente do CO-RIO se livrou de um processo, porque a procuradora explicou que vai prosseguir com as investigações e os responsáveis pela construção da obra serão responsabilizados cível e criminalmente. ?As estacas estão lá. Temos que tirá-las. E eles sabiam que não podiam. Se o CO-RIO não apoiou isso, como admitiu aqui, alguém terá que assumir?, destacou Gisele. A procuradora ainda mostrou um depoimento prestado pelo vice-presidente da entidade, André Richer, em 11 de dezembro de 2006, onde ele revelou a utilização da garagem para outros serviços durantes a competição. ?Que as dimensões da garagem aprovada para a realização da prova não se referem ao abrigo dos barcos durante a competição; que o espaço que se pretende construir será utilizado para serviços de apoio à competição.? Nuzman explicou que a nova postura foi assumida para não haver prejuízo aos Jogos. De acordo com o dirigente, a defesa pela viabilização do projeto inicial foi feita porque a intenção era a de deixar para a cidade, como um legado, uma marina de nível olímpico. ?Agora faremos uma disputa em nível de Pan-Americano?, disse. ?O local das competições não vai mudar, vai ser na Baía de Guanabara, só que em um ponto diferente.? Nesta terça-feira, o dirigente tenta acabar com os problemas judiciais e conseguir a licença para erguer as instalações provisórias no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ? responsável pelo tombamento do Parque do Flamengo, onde está a Marina da Glória. O dirigente vai se encontrar com o superintendente regional do órgão Carlos Fernando de Andrade e apresentar o novo projeto.

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