Comitê Rio 2016 orientou furtos, acusa demitida

Um dos dez envolvidos no caso afirma que diretores do órgão orientavam comandados para copiar dados de Londres

SÍLVIO BARSETTI , TIAGO ROGERO / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h06

Uma das dez pessoas demitidas pelo furto de arquivos do Comitê Londres 2012 (Locog) afirmou ontem que diretores do Comitê Rio 2016 não apenas sabiam que os documentos estavam sendo copiados, como orientavam os comandados para que o fizessem. Contrariando o que vinha alegando o Rio 2016, Renata Santiago disse que "a corda estourou do lado dos mais fracos". Ela pretende entrar na Justiça contra o Comitê Rio 2016, inclusive por danos morais.

Ontem, o Rio 2016 manteve sua versão inicial: os demitidos "agiram por iniciativa própria, sem o conhecimento de seus chefes imediatos e de nenhuma liderança do Rio 2016".

Renata contestou. "No mínimo, eles não instruíram bem seus funcionários. E, no fim das contas, nós é que pagamos por isso", afirmou, em entrevista ao Estado. Em Londres, ela chegou a participar da organização da cerimônia de abertura. Ao lado do presidente do Rio 2016 e do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, foram 12 anos de trabalho.

Segundo Renata, no próprio relatório oficial do Rio 2016, que cada um dos funcionários enviados a Londres deveria preencher quando voltasse, havia um campo para "discriminar os arquivos coletados". "Então, teoricamente este era o nosso trabalho normal", argumentou.

Segundo o Rio 2016, todos os funcionários "haviam assinado contrato que os proibia de copiar esses arquivos sem autorização do comitê londrino." Renata confirmou ter assinado o contrato. "Havia essa cláusula, sim. Mas, seguindo à risca, ela não permitiria nem que passássemos adiante verbalmente o que vimos por lá. Então o que estávamos fazendo em Londres?", indagou.

Os demitidos faziam parte do grupo de "secondees" (funcionários do Rio 2016 que trabalhavam "emprestados" ao Locog), e não observadores. Eram 14, no total, de áreas como planejamento, transporte, acomodações, relações com Comitês Olímpicos Nacionais (esta, a de Renata), logística e tecnologia de informação. "Todos os chefes das pessoas que estavam lá sabiam que elas estavam copiando arquivos, era uma prática comum." A ex-funcionária voltou a afirmar que não copiou dados confidenciais ou comerciais. "Não sei se os outros fizeram como eu. Se fizeram, então acho que o erro foi do Rio 2016, por não ter defendido seus funcionários."

Renata levantou uma dúvida: "Exatamente por que o Rio 2016 demitiu, em vez de defender? Acho que deve haver alguma coisa muito maior por trás disso."

Ela revelou ter recebido de outro funcionário demitido, Bruno Olivieri, um e-mail orientando a melhor forma de copiar os arquivos. "Ele dizia, por exemplo, que em vez de copiar um a um, podíamos baixar a pasta inteira", disse. O Estado tentou, em vão, contato com Olivieri.

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