Kirby Lee/USA Today Sports
Kirby Lee/USA Today Sports

Entenda como as ligas esportivas regulam o ativismo dos atletas

Após o assassinato de George Floyd, ligas estão de pronunciando diante de manifestações políticas

Victor Mather, The New York Times

13 de junho de 2020 | 08h00

Depois que Colin Kaepernick e outros atletas causaram alvoroço em 2016 ao se ajoelharem durante o hino nacional para protestar contra o racismo e a brutalidade policial, as ligas se apressaram para definir políticas para essas manifestações. Agora, após o assassinato de George Floyd e os protestos nacionais que se sucederam, a questão pode muito bem surgir novamente quando o esporte voltar nos Estados Unidos. E algumas ligas estão revisitando suas regras. Aqui estão algumas posições das ligas esportivas profissionais diante de manifestações políticas durante o hino.

NFL

Em 2018, a NFL anunciou uma medida que proibia jogadores de se ajoelharem durante o hino nacional. A liga permitiu aos atletas a opção de permanecer no vestiário até o hino terminar.

O comissário da NFL, Roger Goodell, disse que os protestos de jogadores ajoelhados criaram uma "falsa percepção entre muitos de que milhares de jogadores da NFL eram antipatrióticos".

Na época, o presidente Donald Trump sinalizou a aprovação de parte da nova política da NFL, mas disse que não achava que os atletas deveriam ficar no vestiário para protestar.

Mas, na semana passada, após o assassinato de George Floyd e os protestos, Goodell disse, em um breve vídeo: “Nós, a NFL, admitimos que erramos por não ouvir os jogadores anteriormente e incentivamos todos a se expressar e protestar pacificamente”.

Trump manteve sua posição. "Deveríamos estar de pé e eretos, idealmente com uma saudação ou com a mão no coração", escreveu ele na semana passada no Twitter. "Há outras coisas contra as quais você pode protestar, mas não a nossa Grande Bandeira Americana - NADA DE AJOELHAR!"

Jogos Olímpicos

O movimento das Olimpíadas tem, há décadas, algumas das regras mais rigorosas contra protestos ou declarações políticas de todo o tipo. O caso mais famoso foi em 1968, quando os atletas americanos Tommie Smith e John Carlos foram mandados para casa depois de fazerem uma saudação black power erguendo o punho fechado durante o hino dos EUA. Embora suas ações agora sejam frequentemente elogiadas como um momento de heroísmo, as mesmas regras se aplicam aos atletas olímpicos de hoje.

No ano passado, o arremessador de martelos Gwen Berry e o esgrimista Race Imboden foram colocados em suspensão condicional por um ano pelo Comitê Olímpico e Paralímpico dos EUA por se ajoelharem durante o hino nos Jogos Pan-Americanos.

A diretora executiva do comitê, Sarah Hirshland, disse admirar o ativismo, mas acrescentou que os atletas devem "respeitar as políticas que acordamos entre nós para garantir que os jogos tenham sucesso em seus objetivos nos próximos anos".

Na semana passada, Sarah e Gwen falaram por telefone, e ambas disseram que um pedido de desculpas foi oferecido. "Pedi desculpas por minhas decisões, e também me esforcei para explicar por que tomei essas decisões", disse Sarah.

Na quarta-feira, o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, disse: "Somos muito claros em nossa posição contra qualquer tipo de discriminação e contra o racismo" e apoiamos os atletas usando sua liberdade de expressão "de maneira digna". "Eu realmente acho que a comissão de atletas entendeu o que pensam os atletas e está refletindo muito bem a opinião da maioria.” O COI disse ao Telegraph esta semana que ainda existem regras contra protestos de todo o tipo.

NBA

A NBA tem uma regra em relação ao hino desde 1981. Os requisitos específicos, conforme detalhados no manual de operações atual da liga, obrigam treinadores, jogadores e treinadores a “estarem presentes, ficarem em pé e alinharem-se em uma postura digna” durante os hinos americano e canadense. A prática padrão é que as duas equipes se alinhem ao longo das linhas que marcam a cobrança de lances livres.

Até hoje, os jogadores da NBA nunca pressionaram para que a regra fosse alterada. A liga emitiu um memorando antes da temporada 2017-18 lembrando as equipes da regra depois que Adam Silver, comissário da NBA, expressou esperança "de que nossos jogadores continuem a usar isso como um momento de união". As equipes foram informadas na época que "não têm o poder de renunciar a essa regra".

"É uma regra que existe desde que eu comecei a trabalhar na liga, e minha expectativa é que nossos jogadores continuem de pé para o hino", disse Silver em setembro de 2017.

No entanto, Silver e Michele Roberts, diretora executiva da Associação Nacional de Jogadores de Basquete, também emitiram cartas co-escritas antes das temporadas 2016-17 e 2017-18, incentivando os jogadores “na busca da consciência social”.

Uma frase da segunda carta dizia: “Felizmente, vocês não são apenas os maiores jogadores de basquete do mundo - vocês têm um poder real de fazer a diferença no mundo e queremos que vocês saibam que a associação de jogadores e a liga estão sempre disponíveis para ajudá-los a descobrir a maneira mais significativa de fazer essa diferença”.

Major League Baseball

Em 2017, depois que Bruce Maxwell, do Oakland As, se ajoelhou durante o hino, a liga publicou um aviso dizendo: “A Major League Baseball tem uma longa tradição de honrar nossa nação antes do início de nossos jogos. Também respeitamos que cada um de nossos jogadores seja um indivíduo com seu próprio histórico, perspectivas e opiniões. Acreditamos que nosso jogo continuará a reunir nossos fãs, suas comunidades e nossos jogadores”. Maxwell não foi punido. Outros jogadores não repetiram o protesto dele.

Futebol

Depois que Megan Rapinoe se ajoelhou para o hino em um jogo da seleção feminina dos EUA, a federação adotou uma política que dizia: “Todas as pessoas que representam uma seleção da federação devem ficar respeitosamente de pé durante os hinos em todos os eventos em que a federação esteja representada. "

Mas o conselho de administração se reuniu na terça feira e votou a revogação dessa política. Funcionários da federação trouxeram o problema à liderança da entidade na semana passada, e uma nota da seleção feminina pediu que a federação revogasse a medida e emitisse "um pedido de desculpas aos nossos jogadores e torcedores negros".

A Fifa, que administra o futebol mundial, disse na semana passada que expressões de apoio a manifestantes de alguns jogadores na Alemanha não seriam violações de nenhuma regra. "Para que fique claro", disse Gianni Infantino, presidente da Fifa, "em uma competição da Fifa as recentes demonstrações de jogadores em jogos da Bundesliga mereceriam aplausos e não punição".

Na Inglaterra, os jogadores da Premier League estão planejando uma demonstração de apoio ao movimento Black Lives Matter quando a liga recomeçar na próxima semana. Não é esperado que a liga se oponha às manifestações.

MLS

A liga tem uma política que data de 2017, permitindo protestos com jogadores ajoelhados. “Ao promover um ambiente de diversidade, igualdade e inclusão, a Major League Soccer defende os ideais de liberdade de expressão e o direito a protestos pacíficos, que são as marcas registradas dos Estados Unidos e do Canadá. Se jogadores ou equipes decidem ficar de pé, ajoelhar-se ou exercer seu direito de protestar pacificamente durante os hinos antes dos jogos da liga, nós os apoiamos.” Até o momento, nenhum jogador da MLS se ajoelhou durante o hino nacional, disse a liga.

NCAA

Em nota, a NCAA disse: “Como parte integrante do ensino superior, a NCAA valoriza a expressão e a liberdade de manifestação para todos os alunos. Aplaudimos os atletas universitários por se envolverem em suas comunidades e defenderem mudanças”.

Em 2017, a associação enviou um memorando aos locais que recebem jogos da NCAA, aconselhando-os: “Estudantes-atletas têm direito à liberdade de expressão. Ajoelhar-se durante o hino nacional ou não sair do vestiário durante o hino não é contra as regras do jogo. Nenhuma ação é necessária e nenhuma atenção extra precisa ser atraída para tais casos”.

A NCAA disse, nesta semana, que o memorando reflete as políticas atuais da associação. Os jogos da temporada regular são realizados por universidades e conferências. / Tradução de Augusto Calil

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