Como enfrentar a Red Bull?

Vencer na China para manter a liderança do campeonato. O que torna mais dura essa missão de Felipe Massa é depender muito mais da Ferrari do que dele próprio, ainda mais agora com a onda de frio que atinge Xangai. O rendimento do carro duas semanas atrás na Malásia, mesmo com as ultrapassagens de Massa e Alonso, que largaram no fim do grid, não é nada animador se comparado ao grande momento da Red Bull, que pode levar o alemão Sebastian Vettel à ponta do campeonato. Mas, se a corrida for tão disputada como foram as duas últimas, tudo pode acontecer.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2010 | 00h00

Nas duas longas retas do circuito da China, ultrapassar nunca foi problema e isso acaba sendo um bom teste para os carros atuais. Desde o início do campeonato, os próprios pilotos reclamaram bastante da dificuldade de se tentar uma ultrapassagem por conta da aerodinâmica criada pelos engenheiros em função da nova regra de carros mais longos e, em grande parte da corrida, mais pesados. As duas últimas corridas mostraram o contrário, mas a gente não pode esquecer que Ferrari e McLaren contribuíram significativamente para isso graças ao erro de avaliação no treino oficial, que deixou os seus quatro carros fora das oito primeiras filas do grid. Essa é uma receita para esquentar qualquer corrida, mesmo com a temperatura fria. Ainda mais quando Hamilton anda com vontade de botar seu talento e sua garra em benefício do show.

Vamos ver o que mais essas madrugadas de velocidade nos reservam. O grid será definido em um treino que começa às 3 horas de hoje para amanhã. E a corrida, às 4 horas do domingo. Fora das pistas, a disputa também anda quente. Ferrari e McLaren querem provar que a Red Bull usa um tipo de suspensão inteligente para manter intacta a altura do carro independentemente da quantidade de gasolina no tanque. Isso faz o carro ser tão veloz na briga por uma posição no grid (até agora só deu pole) quanto no início da corrida com o tanque cheio. A resposta da Red Bull é que ninguém pode fazer acusações sem provar. E, mesmo sem admitir culpa, promete revidar.

Cada um com seus segredos. Tomara que estejam dentro da legalidade. Enquanto os chefes brigam por meio de acusações na imprensa e os engenheiros das equipes rivais trocam olhares desconfiados, os espiões de um lado e de outro andam soltos pelos boxes. A história de sucesso do engenheiro aerodinâmico Adrian Newey é testemunha forte em sua defesa. Nunca um carro de sua autoria foi pego fora das regras. A primeira vez que ouvi falar dele com destaque foi em 1989, quando, como por milagre, os carros da modesta equipe March, com o ainda mais modesto motor Judd, brilhavam em pistas de asfalto perfeito. Quando foi trabalhar em equipe grande, Newey acumulou 58 vitórias na Williams, 41 na McLaren e, em pouco mais de dois anos na Red Bull, seus carros já ganharam sete vezes.

Na briga equilibrada em posições de largada entre companheiros de equipes grandes, o placar de 2 a 1 é o mais comum. É assim na disputa entre Alonso e Massa com vantagem do espanhol, mesma vantagem de Vettel sobre Webber e de Button sobre Hamilton. Já na Mercedes Rosberg não tem dado chance a Schumacher - 3 a 0. A única equipe com poles é a Red Bull (duas de Vettel e uma de Webber), mas até agora nenhuma ganhou mais de uma corrida.

Como qualquer outro dos sete GPs criados recentemente no Oriente, o da China, agora na sétima edição, pode não ter a tradição das corridas mais antigas da Fórmula 1. Mas vencer uma competição automobilística no maior mercado atual de automóveis do mundo tem sua importância. Nada menos do que 45% dos carros fabricados no mundo nos próximos 15 anos serão comercializados na China.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.