Competência é pra quem tem

Não sei se na F-1 de hoje alguma outra equipe além da McLaren conseguiria reagir tão rapidamente a um problema de última hora, prestes a mandar o carro para o grid, e ainda ganhar a corrida. Não foi a primeira vez que um piloto passa por grande sufoco segundos antes da largada, mas esta foi resolvida com sabedoria até na forma com que o engenheiro de Hamilton, Andy Latham, teve o cuidado de manter o piloto informado de tudo o que estava sendo feito. E, quando foi dada a ordem para ele deixar o box, faltando 30 segundos, Hamilton continuou sendo informado, embora ainda faltasse o que fazer já no grid.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2011 | 00h00

A McLaren é a grande surpresa de uma temporada que, como se esperava, vem sendo dominada pela Red Bull e tende a continuar assim até uma muito provável conquista do bicampeonato de Vettel. Mas quem tem a McLaren como rival nunca pode relaxar. E a surpresa começou bem antes da vitória na China. Vem desde a primeira corrida, na Austrália, quando a equipe já apareceu bem melhor do que a Ferrari. Quem tinha visto a decepção que foi a pré-temporada da McLaren, não poderia imaginar que ela seria a equipe mais próxima da Red Bull na briga pela pole e na corrida. Os rivais ainda duvidam um pouco da história contada pelo chefe Martin Whitmarsh e o diretor técnico Paddy Lowe, de que, faltando dez dias para a estreia, a equipe resolveu mudar mais da metade do carro e entrou na pista de Melbourne sem ter ideia se daria certo.

O resultado da China é pouco para mudar a história desse início de campeonato. Eu até apostei em Hamilton pelo que tinha visto em Xangai na sexta e no sábado, mas só porque a Red Bull ainda não está em dia com a tecnologia do kers. Na pista chinesa a falta do kers seria fundamental, como acabou sendo de fato. Nos dois carros o kers não durou metade da corrida. Por isso meu palpite deu certo. Mas ainda há muito a ser feito para alcançar o estágio atual da Red Bull. Por sorte, na pista da Turquia o kers volta a ser muito importante. Tudo bem que, desta vez, as equipes têm um intervalo maior para trabalhar em seus carros. É um trabalho interno, sem teste de pista, mas às vezes dá certo. Mais do que nunca, depende da qualidade dos engenheiros de cada equipe.

Volto da China com uma certeza - os chineses jamais terão um piloto na Fórmula 1. É impressionante o modo de dirigirem nas ruas. No começo achei que o boa gente Jimmy Li, que me conduziu por lá nesses dias, era exceção. Depois vi que todo mundo faz a mesma coisa. Tudo é permitido. Em uma rua qualquer, cada um pode fazer um retorno e parar o trânsito. Sinal vermelho, até agora não entendi quando é para ser respeitado e quando não significa nada. Assim como a faixa de pedestre, que os carros atravessam mesmo cheia de gente. Se um policial resolve parar no meio de um elevado, simplesmente para. E os carros de trás vão desviando. Bicicletas e motonetas, aos montes, têm a sua pista isolada, mas andam na contramão dos carros. E como se buzina!

Tudo isso a gente esquece diante da beleza de Xangai. Cidade com quase a população de São Paulo, mas com ruas e avenidas espaçosas que ajudam a evitar tráfego pior. Sem contar que a rede do metrô, iniciada em 1993, já conta com mais de 400 quilômetros, enquanto a de São Paulo, que começou 20 anos antes, mal passa dos 70 quilômetros. Xangai tem prédios de arquitetura audaciosa, de extremo bom gosto. Só uma pequena decepção: depois de décadas me deliciando com o pato à moda de Pequim que a F-1 toda saboreia na pequena Towcester, vizinha ao autódromo de Silverstone, aproveitei a presença na China para tentar algumas vezes o tradicional pato à moda de Pequim. Pode ser deficiência do nosso gosto ocidental, mas o pato "ching ling"" da modesta Towcester, certamente não tão fiel à tradição, é muito melhor.

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