Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Complexo de Deodoro não tem mais margem para erro, diz APO

Obra deve custar cerca de R$ 800 milhões

Rodrigo Viga Gaier, Reuters

15 de maio de 2014 | 17h49

RIO - Projeto que ainda não saiu do papel e motivo de preocupação do Comitê Olímpico Internacional (COI), o Complexo Esportivo de Deodoro, onde serão disputadas sete competições em 2016, não tem mais margem para erro, afirmou nesta quinta-feira (15) o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), Fernando Azevedo e Silva.

O aviso de licitação da obra, a ser realizada na zona norte do Rio de Janeiro, foi publicado somente no mês passado com previsão de gastos de cerca de R$ 800 milhões. O projeto, que passou por uma série de divergências sobre qual esfera governamental se encarregaria da construção, tem previsão de conclusão no primeiro semestre de 2016.

“Não tem mais flexibilidade para Deodoro“, disse o presidente da APO à Reuters, durante evento de lançamento do portal de transparência dos Jogos de 2016. “Deodoro nos preocupava porque demorou para sair, e o primeiro passo foi dado com a licitação”, acrescentou.

Inicialmente, o Complexo de Deodoro era uma obra de responsabilidade do governo federal, mas com o passar do tempo foi mudando de mãos. Primeiramente o governo estadual assumiu a responsabilidade do projeto, e depois a transferiu para o município, que no ano passado começou o trabalho para a implementação da obra.

"Estamos apertadinhos com Deodoro. A licitação sai no dia 29 de maio, se Deus quiser", afirmou o prefeito do Rio, Eduardo Paes, no mesmo evento.

O cronograma apertado em Deodoro se soma a outros problemas enfrentados pelos organizadores dos Jogos Olímpicos, incluindo a poluição da Baía de Guanabara, onde acontecerão as provas de vela em 2016, atrasos em outras obras e orçamento acima do previsto na candidatura da cidade.

Integrantes do COI criticaram em abril o ritmo dos preparativos do Brasil e anunciaram uma série de medidas para agilizar as obras, incluindo um acompanhamento mais de perto da preparação do Rio de Janeiro.

O custo total da realização dos Jogos Olímpicos até o momento está estimado em ao menos R$ 37,5 bilhões, mas a quantia vai subir, uma vez que ainda serão incluídas obras sem orçamento. Entre agosto e setembro haverá uma atualização dos valores, quando for divulgada uma nova versão da matriz de responsabilidade da Olimpíada.

O presidente da APO estima que cerca de 80% dos gastos previstos para os 52 projetos exclusivamente realizados para a Olimpíada já foram contabilizados. “Vai aparecer muito pouca coisa (na atualização). O pesado já está quase todo lá na matriz”, disse. 

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