Athit Perawongmetha/REUTERS
Athit Perawongmetha/REUTERS

Compradores dos apartamentos da Vila Olímpica de Tóquio vão à Justiça por moradia

Unidades foram vendidas antes do adiamento dos Jogos de julho de 2020 para julho de 2021 devido à pandemia, obrigando os novos proprietários a adiar a mudança em pelo menos um ano

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2021 | 11h19

Compradores que esperavam tomar posse de seus apartamentos após o desmantelamento da Vila Olímpica em Tóquio iniciaram nesta segunda-feira, dia 1º, um processo judicial pedindo indenização ligada ao adiamento dos Jogos, anunciou um advogado do grupo. As instalações, concebidas para abrigar mais de 10.000 atletas e líderes na Vila Olímpica, devem ser convertidas após a disputa em centenas de apartamentos com excelentes vistas da capital japonesa, alguns avaliados em 170 milhões de ienes (US$ 1,6 milhão). 

Cerca de 900 deles já haviam sido vendidos antes do adiamento dos Jogos de julho de 2020 para julho de 2021 devido à pandemia, obrigando os novos proprietários a adiar a mudança em pelo menos um ano. No total, 24 compradores solicitaram arbitragem ao tribunal de primeira instância de Tóquio, buscando indenização de 10 incorporadoras imobiliárias, incluindo a Mitsui Fudosan, sem fixar um valor. 

"Pedimos para iniciar as negociações, mas eles responderam que não era necessário", disse o advogado Hironobu Todoroki à AFP. “Devido ao adiamento dos Jogos Olímpicos, os filhos de alguns compradores serão forçados a mudar de escola até que possam finalmente se mudar para seu novo apartamento e região”, acrescentou Todoroki. 

Há ainda um outro problema. Muitos compradores se desfizeram de suas antigas casas para adquirir a nova e acabaram ficando sem nenhuma residência. “Muitos também venderam seu antigo apartamento e pediram um empréstimo para financiar o novo”, explicou o advogado, especificando que os compradores poderiam iniciar um processo judicial formal se as empresas se recusassem a comentar sobre o tema. 

O projeto de moradia da Vila Olímpica tem mais de vinte torres voltadas para a Baía de Tóquio. O local de 18 hectares deverá incluir ainda escolas, parque infantil, piscina e ginásio. O governo japonês, os organizadores do Tóquio-2020 e o Comitê Olímpico Internacional (COI) afirmam que os Jogos poderão acontecer com segurança este ano, apesar das dúvidas sobre o destino do evento, já que a pandemia continua se espalhando pelo mundo.

Tóquio está em estado de emergência por causa da doença. A campanha de vacinação no país está prevista de começar neste mês./AFP

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