Conca: Portas abertas

Caso o argentino venha a se naturalizar brasileiro, o técnico da seleção verde-amarela,[br]Mano Menezes, admite a hipótese de convocá-lo. Por enquanto, prefere esperar a decisão do craque

Bruno Lousada e Sílvio Barsetti, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2010 | 00h00

Apesar de cauteloso e disposto inicialmente a não falar sobre o assunto, o técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, não descartou a possibilidade de um dia vir a convocar o meia Dario Conca, que vive no Rio há quatro anos, está solicitando visto permanente de trabalho no País e admite uma futura naturalização. O jogador argentino, ídolo do Fluminense, foi eleito o craque do Campeonato Brasileiro de 2010, em evento organizado pela CBF.

"Não existe hoje um parâmetro para analisar essa situação", disse Mano ao Estado. "Ninguém sabe como seria a reação do torcedor, trata-se de uma novidade, vamos deixar isso mais para frente, até porque ainda não há nada de concreto."

Mano ressaltou que o Campeonato Brasileiro deste ano consagrou como grandes destaques dois argentinos, Conca e Montillo, do Cruzeiro. "Foram logo dois de uma vez, algo novo, e a gente tem de ver como o torcedor vai lidar com isso a médio prazo", avaliou.

Um dos eleitores da festa que premiou o craque do campeonato, Mano se recusou a revelar o voto. "A escolha é secreta." Indagado se teria optado por Conca, apenas sorriu. No evento, o argentino obteve três troféus - o de melhor meia-esquerda da competição, e os de craque da galera (em eleição feita somente por internautas) e do Brasileiro.

Mano avaliou como um gesto simpático as declarações de Conca, em entrevista coletiva concedida na quarta-feira, no Rio, de que não se recusaria a conversar com o técnico da seleção brasileira sobre a hipótese. "Deixa ele telefonar e aí eu respondo", disse o jogador, com bom humor, diante da insistência dos jornalistas sobre um dos prováveis motivos de sua decisão.

No mesmo encontro, Conca admitiu dificuldades para servir à seleção do Brasil. "É difícil que isso aconteça. O Mano conta com grandes jogadores, a camisa do Brasil é muito importante. Se ele me chamasse, tiraria quem? Nunca pensei nisso."

"Eu li o que o Conca falou. Mas a prioridade dele, pelo que entendi, é jogar pela seleção argentina. Mas vamos deixar isso para depois, se um dia ocorrer algo diferente, a gente analisa", comentou Mano Menezes, que foi breve na conversa por telefone com o Estado - estava dentro do avião que o levaria do Rio para Porto Alegre.

Conca jamais atuou pela equipe principal da Argentina, o que, portanto, não o impediria de vestir a camisa da seleção do Brasil, caso receba a cidadania do País. O xodó da torcida do Fluminense nasceu há 27 anos na cidade de General Pacheco, no entorno de Buenos Aires.

Só elogios. Grande nome do Brasileiro recém-encerrado, Conca recebeu elogios durante a semana de vários ícones do futebol do País. O capitão do tricampeonato mundial, Carlos Alberto Torres, disse durante o Footecon - fórum internacional de futebol promovido por Carlos Alberto Parreira - que o único jogador que mostrou algo diferente no Brasileiro de 2010 se chamava Conca. Declarou isso num auditório do Hotel Copacabana Palace, diante de Mano Menezes.

Parreira, Zico e Júnior também enalteceram o argentino, que poderia se tornar o primeiro estrangeiro a atuar na seleção pentacampeã do mundo.

Deixaria para trás a impressão revelada pelo meia Defederico, que atuou recentemente no Corinthians, de que Mano não gosta de argentinos. Herrera e Escudero, outros dois hermanos que passaram pelo clube, também tiveram problemas com o técnico.

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