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Antero Greco
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Concurso de resistência

No embalo do Dia das Crianças, lembrei ontem do Concurso de Resistência Orniex. Sim, foi no milênio passado... Durante quatro dias, no Carnaval, um pessoal dançava num tablado montado no ginásio do Ibirapuera. Quem suportasse a maratona, transmitida pela TV Record, faturava uma bolada. A torcida mudava a todo instante, pois o favorito de ontem se transformava no eliminado de hoje. E assim por diante. Suspense até o final.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2014 | 02h02

O Brasileiro de 2014 segue padrão idêntico de alternância, indefinição e previsões furadas. Num momento, surge a certeza de que tal equipe ficará com a taça. Exemplo maior o Cruzeiro, até outro dia impecável, perto da perfeição, candidato indiscutível para a festa. Agora, perdeu duas em seguida - 1 a 0 para o Corinthians e 3 a 0 para o Fla - e outra vez abre perspectiva de reação para os adversários.

Muito bem, o Cruzeiro derrapa e a gente crava que os demais vão encostar e bagunçar a reta decisiva da temporada. Pode ser. O Inter justificou os temores celestes, com os 2 a 1 no Fluminense e a retomada do segundo lugar, com 50 pontos, seis atrás do líder. Será que embala? Sei lá. No meio da semana, havia levado sova de 5 a 0 da Chapecoense, fora o baile e os sustos.

O panorama fica favorável ao São Paulo, outro com pretensões ousadas, certo? Errado. A turma do Muricy Ramalho vai a Belo Horizonte, topa com um Atlético Mineiro desfalcado quase até de massagista e roupeiro e volta para casa com 1 a 0 nas costas e os mesmos 49 pontos de antes.

Há a alegação de que baixas como as de Kaká e Ganso foram sentidas. Concordo, a ausência de ambos enfraquece o poder de criação da equipe, mas não justifica o futebol embaçado que mostrou no Independência. Não jogou como quem tenta aproveitar-se de vacilos dos ponteiros. O Galo, ao contrário, com 47 vislumbra a possibilidade de avançar mais. Será? Não sei.

Pegue o bloco formado por Grêmio (46), Corinthians (46), Fluminense (42) e Santos (42). Os três primeiros em diversas ocasiões ensaiaram dar o pulo do gato e abocanhar o primeiro lugar. Ou, na hipótese menos atrevida, a vice-liderança. (Os santistas sempre ficaram com objetivos modestos.)

O que ocorreu com todos no final de semana quente pra chuchu na região Sudeste? Levaram ducha fria, com uma sucessão de derrotas. E, pior, carregam enorme ponto de interrogação daqui por diante. Os corintianos levaram sufoco do Botafogo, então na lanterna, perderam por 1 a 0 em Manaus e o técnico Mano Menezes reclamou... da catimba do rival. Alegou que o árbitro deveria dar mais acréscimos.

As limitações da equipe ficam em segundo plano na análise. A trajetória alvinegra contraria regra básica de quem almeja o topo: é imprescindível não ceder para os mais fracos, porque se trata de pontos irrecuperáveis. Diante dos mais fortes, os resultados não chegam a ser determinantes, já que há tendência de um roubar ponto do outro. De que valeu ganhar do Cruzeiro na quarta para cair no sábado? Nada.

E o pessoal que anda por baixo? O Palmeiras parecia mortinho da silva, fazia uma força e tanto pra revisitar a Série B. Daí, ganha três em seguida e, o que é surpreendente, jogou muito bem diante do Grêmio. A Chapecoense era outra aposta segura para Segundona: empolgou-se com a surra no Inter, encheu-se de brios e fez 1 a 0 no Bahia fora de casa.

Os baianos se alternam na zona do perigo. O Bahia reagia e volta a ficar sem fôlego. O Vitória necessitava de oxigênio e veio o socorro. O Atlético-PR largou como furacão na primeira parte da Série A, depois flertou com a brisa; reagiu ontem sobre o Figueirense, que volta a descer.

Resumo da crônica: deu a louca no campeonato. Impossível ser peremptório a respeito de qualquer coisa, do título ao descenso, passando pelas vagas para a Libertadores. Depende da resistência de cada um. Não afirmo que o equilíbrio se deva a elevado nível técnico. Não me engano, nem vou enganar você.

Mas contém emoção - que bom.

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