Raphael Macek/Divulgação
Raphael Macek/Divulgação

Concurso indoor retoma prestígio e terá a presença de Doda

Cavaleiro terá que competir com montaria emprestada devido a barreiras sanitárias

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2013 | 18h33

SÃO PAULO - O medalhista olímpico Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, vai competir, a partir desta quinta-feira, no tradicional Concurso de Saltos Internacional Indoor, na Sociedade Hípica Paulista, no bairro do Brooklin, na capital.

A competição, que já foi uma das mais importantes do circuito nacional, retomou parte de sua importância graças à obtenção de um patrocínio. Neste ano, quase 600 conjuntos vão participar, incluindo representantes do Chile, Argentina, Uruguai e Venezuela.

O percurso será montado por Guilherme Jorge, que pode receber essa mesma incumbência nos Jogos Olímpicos de 2016.

O evento só não poderá alcançar um nível técnico ainda mais elevado devido às condições sanitárias do país, que ainda registra casos de mormo, uma doença que afeta equinos e pode ser transmitida a seres humanos. Dessa forma, as montarias que Doda utiliza nos principais concursos do mundo não podem entrar em território nacional, e os animais brasileiros não podem entrar na Europa.

Doda, hoje o melhor cavaleiro no ranking da FEI (Federação Equestre Internacional), na 23ª colocação, vai cavalgar montarias emprestadas por criadores nacionais. “Não estou visando resultados nessa competição, mas nada impede que eu consiga. Estou aqui para prestigiar a competição e o hipismo nacional, que vive completa ascensão”.

Nas últimas cinco edições da Copa das Nações, a equipe brasileira sempre conseguiu se classificar entre as três primeiras. Satisfeito com esses resultados, o presidente da Confederação Brasileira de Hipismo, Luiz Roberto Giugni, quer combater o mormo para que o hipismo brasileiro possa evoluir.“Formamos um grupo chamado Coalizão contra o Mormo, com três representantes do Ministério da Agricultura e três da Confederação. Temos que melhorar a fiscalização para que entrem no Brasil apenas animais certificados e não haja dessa forma mais polos disseminadores da doença”.

A realização das provas da Olimpíada, segundo Giugni, não está ameaçada pelo mormo. “Podemos montar corredores sanitários, com cocheiras e telas especiais. Garanto que haverá competições no Rio. É mais fácil eu morrer do que elas não serem realizadas”.

Giugni disse que ainda aposta na popularização da modalidade. Recentemente, em Campinas, foi realizada uma competição num ambiente aberto, no Parque Ecológico, que atraiu um público diferente daquele acostumado a frequentar hípicas. “Pretendo realizar competições em locais como o Estádio do Pacaembu ou o Parque do Ibirapuera. Poderíamos também vincular equipes a clubes de futebol. É um projeto que eu tenho”.

Prova viva de que não é obrigatório ser dono de uma fortuna para prosperar no hipismo é Francisco Musa, que comprou seu cavalo, Xindoctro Método, por R$ 40 mil, em 24 prestações num leilão. Musa, que trabalhava em haras, consegue faturar hoje mais de R$ 120 mil por ano apenas em premiações.

Outro nome forte da competição é José Roberto Reynoso Fernandez Filho, que participou da Olimpíada de Londres e ocupa a liderança do ranking brasileiro.

Há jovens destaques também, como a amazona Giulia Scampini, campeã americana júnior , classificada para os Jogos Olímpicos da Juventude de 2014, na China.

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