Confederação asiática faz pressão sobre CBF e Fifa

Cansada de esperar pela definição das datas da Copa das Confederações, entidade se antecipa e monta seu calendário

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2011 | 00h00

Os atrasos na preparação do Brasil para organizar a Copa de 2014 provocaram o primeiro mal-estar internacional para os responsáveis pela organização do evento. Isso porque a Confederação Asiática de Futebol, cansada de esperar pela definição do período de disputa da Copa das Confederações de 2013, decidiu agir e estabeleceu as datas para o início de sua Eliminatória para o Mundial. Além da antecipação, os asiáticos também comunicaram a Fifa que estão preocupados com o andamento do processo no Brasil.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ainda não se posicionou oficialmente sobre o tema. Mas ontem, consultado pela reportagem, o departamento de Comunicação de entidade, que responde também pelo Comitê Organizador Local (COL), afirmou que a Copa das Confederações é uma competição da Fifa e, portanto, cabe à entidade máxima do futebol definir suas datas.

Com dezenas de países envolvidos na briga pelas vagas da região, a federação asiática é a que precisa do maior número de datas internacionais para promover sua Eliminatória. Assim, estabeleceu junho de 2013 como início da disputa, data que se chocaria com eventuais jogos da Copa das Confederações. Na prática, os asiáticos obrigaram a Fifa e a CBF a encontrarem uma nova data para o evento. "A modalidade de Eliminatória para a Copa de 2014 ainda está por ser finalizada e será discutida com todas as confederações", afirmou a Fifa em comunicado.

A assessoria de imprensa da entidade explicou ainda que a expectativa em Zurique é de que as datas e locais da Copa das Confederações no Brasil sejam apresentadas em julho deste ano. Esse é o prazo limite para a definição. Segundo a Fifa, vão ser exigidos do Brasil entre quatro e seis estádios para a Copa das Confederações. Tradicionalmente, o evento serve como teste para o país sede.

Segundas intenções. Mas o mal-estar não é apenas por datas. A Ásia se apresenta como o principal concorrente na sucessão de Joseph Blatter nas eleições para a presidência da Fifa em 2015. Segundo o próprio João Havelange, ex-presidente da Fifa, Ricardo Teixeira seria um nome forte para as eleições de 2015. Dessa forma, a pressão asiática não existiria por acaso. Mohamed Bin Hammam, presidente das Confederação Asiática, é um dos cotados como candidato. Outro é o coreano Chung Mong-Joon, integrante do Conselho Executivo da Fifa, deputado parlamentar e, acima de tudo, presidente da Hyundai, um dos principais patrocinadores da Fifa.

A intenção, portanto, seria também deixar claro às demais federações que Teixeira não está fazendo um trabalho adequado à frente da organização da Copa e, portanto, não seria o homem ideal para comandar a Fifa a partir de 2015.

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