Confederação reconhece que o tênis está em crise no Brasil

A saída de Fernando Meligeni do cargo de técnico da Copa Davis reabriu uma ferida e expôs o tênis brasileiro a uma nova crise. Como lamentou Jorge Rosa, presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), nesta quarta-feira, em entrevista coletiva na sede da entidade, em São Paulo (SP), o País não tem sequer um tenista entre os cem primeiros, o que não acontece há muitos anos, e há uma séria falta de credibilidade. ?Não sei de nenhum profissional brasileiro que tenha um patrocinador, isso incluindo o Guga?. O problema agora não se trata mais de boicote, ou mesmo escândalo na gestão da CBT, mas dificuldades financeiras deixam perspectivas remotas para a modalidade. O confronto da Copa Davis entre Brasil e Suécia, realizado em setembro em Belo Horizonte, que prometia lucros e poderia fazer a CBT tirar o pé da lama, acabou transformando-se num novo problema com o não recebimento de 900 mil reais, de um total de 1,2 milhão de reais de um termo de compromisso assinado pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves. ?Nem consigo ser atendido pelo governador de Minas para tratar desse negócio?, diz Rosa, enquanto o secretário de Estado mineiro Rogério Romero garante que não existe mais qualquer dívida com a CBT. A situação é complicada. Afinal, sem dinheiro a CBT não consegue colocar seus planos em ação, perde aliados importantes como Meligeni e vê mais uma vez sua imagem arranhada. ?Precisamos mostrar que o tênis pode readquirir credibilidade?, afirma Rosa. Com poucas esperanças de receber o dinheiro, pois Rosa se sente com os braços amarrados, ?não posso processar o governador de Minas e esperar dez anos para o caso ser solucionado?, o presidente da CBT irá fazer uma ginástica financeira para sanear as dívidas e destaca uma série de atividades da entidade, desde captação de valores a incentivo no tênis feminino e realização de número significativo de torneios ?futures? (de pequena premiação e importante na formação de jogadores) para readquirir credibilidade. Ainda existe uma dívida com os jogadores da Davis, no valor de 200 mil reais, referente a cota de patrocínio que têm direito por terem usado propaganda da Oi na manga das camisas. O time na época comandado por Meligeni já recebeu US$ 61 mil (cerca de 130 mil reais), dinheiro enviado pela ITF (Federação Internacional) para ajudar na organização do evento. Rosa ainda tem a promessa - recebida por e-mail - de um pagamento de 300 mil reais pelo Banco do Brasil, com prazo para segunda-feira.

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