Confederações travam batalha contra o tempo

As entidades trabalham para aperfeiçoar seus talentos, mas algumas ainda enfrentam velhos problemas

, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2011 | 00h00

Se não é possível criar um campeão olímpico "do zero" as confederações ainda podem ter papel importante no desenvolvimento dos atletas em ascensão de forma a prepará-los da melhor forma possível para os Jogos de 2016. Nesse quesito, os esportes com mais investimentos - os que contam com patrocinadores estatais e verbas da Lei Agnelo-Piva - levam significativa vantagem.

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No caso da natação, por exemplo, o supervisor, Ricardo de Moura, organizou um estudo no qual acompanhou o desempenho de todos os nadadores nos quatro anos anteriores aos Jogos de Pequim e, baseado no cruzamento de dados como idade, tempos na piscina e posição no ranking mundial comparou os resultados com os das atuais revelações. O resultado aponta para alguns nomes que já começam a se destacar, como Henrique Rodrigues, Leonardo de Deus e Alessandra Marchioro. Tais atletas serão acompanhados mais de perto pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).

No judô, o coordenador técnico da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Ney Wilson, conta que as entidades do judô tem tido sucesso em usar como referência os mundiais das categorias de base e chega à uma interessante conclusão: a de que, em 2016, há a possibilidade de uma inversão de valores e o feminino ter mais chance de medalhas do que o masculino.

Independentemente do fato, a entidade procurou conversar com os técnicos das equipes, atletas e clubes de forma a reunir opiniões sobre o que poderia ser feito para aperfeiçoar o trabalho atual. O campeão olímpico Rogério Sampaio, que atualmente trabalha na formação e preparação de atletas, deu sua opinião. "Acho que seria importante diminuir a distância entre as categorias de base e a principal. Que eles pudessem treinar mais juntos." Ney afirma que a CBJ já trabalha neste sentido, tanto que deve aumentar os períodos de treinamento integrado da seleção adulta com as sub-20 e outras de base além de aumentar o número de atletas na seleção permanente para que, no caso da contusão de um atleta e de seu reserva, outro esteja preparado para substituí-lo.

Outra reivindicação foi a de aumentar o número de viagens. A CBJ vai usar os resultados nas competições como referência para enviar atletas para etapas da Copa do Mundo e outros eventos que possam interessar no aperfeiçoamento dos atletas.

O atletismo aposta em reunir seus talentos em centros de desenvolvimento espalhados pelo Brasil. No entanto, a iniciativa dá mostras de que precisa ser aprimorada pois Geisa Arcanjo, que acabava de trocar São Paulo por um dos centros da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), perdeu sua medalha de ouro no arremesso do peso do Campeonato Mundial Juvenil no ano passado por doping.

Mesmo os esportes com menor investimento procuram se aperfeiçoar. A Confederação Brasileira de Lutas Associadas mantém um centro de treinamento no Rio para divulgação do esporte entre as crianças.

No tiro, contrastes. Enquanto o medalha de prata na Olimpíada da Juventude, Felipe Wu, passou a receber apoio direto do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para se preparar para os Jogos do Rio e talvez até os de Londres, no ano que vem, a Confederação faz apelo por ajuda. " Um de nossos principais problemas é a burocracia. O Ministério de Defesa dificulta muito a aquisição de equipamentos", conta o assessor da presidência da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo, Ronaldo Silva Freire.

O uso de simuladores de tiro poderia ser uma solução. "Mas o custo é muito alto. O produto precisa ser importado e cada kit custa 1 mil. Gostaríamos muito que alguma faculdade de engenharia ou centro de pesquisa se dispusesse a criar uma versão brasileira, com preço mais acessível", afirma Freire.

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