Conforme o previsto

Pairava no ar possibilidade de zebras passearem livres nos jogos que abririam as quartas de final do Paulista. A Ponte era uma delas, porque despontou como justiceira, na fase de classificação, ao pregar peças nos grandes (bateu São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Lusa e empatou com o Santos). O Oeste era outra, na condição de novato.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2011 | 00h00

Pois não ocorreu nada de extraordinário num torneio que até agora se caracteriza pela previsibilidade. O Santos derrubou a Ponte, com 1 a 0, na Vila Belmiro, à tarde, e o Corinthians fez o Oeste perder o norte, com os 2 a 1, no Pacaembu, no começo da noite.

Duas vitórias esperadas e que vieram como consequência da superioridade dos mandantes. O Santos em raros momentos foi ameaçado pela Ponte, longe de ser a equipe atrevida que se imaginava. Parece que sentiu a responsabilidade. Desta vez, atuou com cautela e quebrou a cara. O Santos, sem dar show e com a cabeça na Libertadores, jogou o suficiente para seguir em frente, com o gol de Neymar, o melhor do time, no primeiro tempo.

O Corinthians não sofreu além da conta diante de mais de 32 mil torcedores. Apesar de vacilos em alguns momentos, como no gol de Fábio Santos (no empate de 1 a 1), jogou com autoridade de quem não permitiria um novo "Tolima" em sua vida. Liedson deu fim ao jejum e abriu o placar aos 9 minutos do primeiro tempo. Willian fechou a conta na etapa final.

Os dois alvinegros cumpriram sua parte, mantiveram a rotina no Paulista e curtem a Páscoa em paz. O que virá depois? Saberemos logo mais.

Surpresas hoje? Essa história de zebras não me deixa sossegado. Agora fico a pensar no destino de São Paulo e Palmeiras. Ambos são os favoritos nos duelos de hoje, contra Portuguesa e Mirassol, respectivamente. Certo? Sim, pelo menos é o que indica o bom senso. Tiveram as melhores campanhas e terminaram na frente - 41 pontos por cabeça, com vantagem tricolor no número de vitórias (13 a 12). Normal que carreguem a preferência nos prognósticos.

Mas dá para confiar só na estatística, na lógica e no senso comum no futebol? Sim, também, mas com enorme cautela e restrições. Se há esporte que se diverte em maltratar a matemática, este sem dúvida é o do joguinho de bola. Não fosse assim, não existiria a zebra a respeito da qual falamos a todo momento,

Tudo bem que o exótico animal listrado não deu as caras ontem, na Vila e no Pacaembu (nem no duelo em que o Vasco ganhou do Olaria por 1 a 0). Em compensação, passeou - e escoiceou - à vontade, no meio da semana, em Buenos Aires. Alguém imaginava que o Fluminense pudesse subverter a ordem natural das coisas, dar um chega pra lá nos 8% de chances de ir adiante na Libertadores e bater o Argentinos Juniors na conta exata para atingir tal proeza? Acho que isso só passou pela cabeça de fanáticos, lunáticos e sonhadores...

Suponho que o caso do Flu esteja a ser usado pelos protagonistas das quartas de final, ontem e hoje. São-paulinos e palmeirenses tomam o que aconteceu com o campeão brasileiro como sinal de que não se pode dormir no ponto. Já a turma da Lusa e a do Mirassol têm os 4 a 2 épicos da quarta-feira como prova de que impossível é palavra a ser riscada do futebol, enquanto houver chance de reação.

São Paulo e Palmeiras têm recursos suficientes para avançar para as semifinais. O tricolor possui elenco que possibilita muita variação tática - e disso se valeu Carpegiani ao longo das 19 rodadas anteriores. O ataque também funciona com precisão, com 39 gols. O Palestra de Felipão não fica atrás em aspectos positivos, com uma diferença em relação ao São Paulo: começou o ano sob desconfiança generalizada. Sem alarde, com grupo pouco estrelado e defesa firme (sofreu 8 gols), acumulou bons resultados. Quando os adversários perceberam, estava na ponta da tabela.

Lusa e Mirassol não têm algo a seu favor? Claro que sim. A Portuguesa garantiu lugar na bacia das almas, num jogo com o São Bernardo que deu o que falar. O Mirassol é outro debutante na turma, vive momento glorioso e não tem nada a perder. O fato de atuarem como franco-atiradores faz de ambos rivais a serem temidos. Basta que tenham uma tarde feliz e olha a zebra a correr por aí. Será?

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