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Antero Greco
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Confusões na rede

As redes sociais vieram para ficar, embora se modifiquem de tempos em tempos na roupagem. Por mais que se resista, não se consegue escapar delas; alguma nos fisga. Tudo bem, ajudam a interagir, difundem ideias, alimentam debates interessantes - e funcionam, em diversos casos, como disseminadoras de fofocas com velocidade e força devastadora espantosas.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2014 | 02h02

Só em assuntos ligados ao esporte tivemos dois episódios agudos nos últimos dias. O primeiro veio com a conduta mal-educada de torcedores do Grêmio, duas semanas atrás, em jogo com o Santos pela Copa do Brasil. A moça flagrada a chamar o goleiro Aranha de "macaco" teve, em minutos, devassados vida, obra, usos e costumes. Recebeu enxurrada de insultos e ameaças. (Fato semelhante havia ocorrido com o colombiano Zúñiga, na Copa, depois de atingir Neymar em jogo nas quartas de final.)

O rolo mais recente veio à tona no domingo, horas depois de Gilmar Rinaldi comunicar a dispensa do lateral Maicon. A falta de maiores explicações - o dirigente avisou que era "assunto interno" e restrito - estimulou a imaginação de usuários da mídia, com direito a hipóteses variadas para justificar o corte. Houve brincadeiras, porém sobrou maldade. A maior de todas a que insinuava intimidade excessiva entre o jogador da Roma e o corintiano Elias.

Tão grave quanto o boato doentio foi a repercussão em sites - felizmente raros. Mesmo assim, num instante a lorota se alastrou feito incêndio criminoso em favela. Claro que chegou à seleção e bateu em cheio nos envolvidos. Além da reputação dos rapazes, a lama respingou nas respectivas famílias.

Isso é nojento, asqueroso o sujeito que espalha injúrias. Embora não seja novidade, pois a todo momento vemos "denúncias" na rede assinadas por autores famosos que jamais escreveram os textos que lhes são creditados. Época de eleição é fértil nessa modalidade moderna de guerrilha e terror.

Maicon e Elias prometem processar os irresponsáveis e lunáticos da internet, e devem levar o propósito adiante, sem baixar a guarda. E a turma que assumiu a seleção brasileira também pode ser mais clara a partir de agora. Teria sido simples dizer que Maicon fora afastado porque se atrasou, e muito, no horário fixado para o fim da folga.

Caça à raposa. O Cruzeiro vai bem, obrigado, com liderança folgada e 7 pontos de vantagem sobre o vice-líder São Paulo (43 a 36). Time consistente, joga bonito e é favorito a novo título. Tudo correto, e é chover no molhado.

No entanto, o campeonato não acabou. O segundo turno começa hoje e nas próximas semanas haverá uma enfileirada de rodadas. Chance para quem quiser de fato entrar na caça à raposa - empreitada complicada, mas...

O primeiro da lista na corrida é o São Paulo, que cresceu com a chegada de Kaká e de Alan Kardec, encorpou, ganhou habilidade e qualidade. O desafio é o Botafogo, que não tem ideia do rumo a tomar. Com 22 pontos, empacou na parte inferior da tabela e se viu obrigado a vender o mando para faturar algum extra. O fato de o jogo ser no Mané Garrincha, campo neutro, pode ajudar o Tricolor.

O Inter, terceiro com 34, levou pancada e tanto na autoestima ao perder para o Figueirense, em casa, por 3 a 2, depois de abrir 2 a 0. Não lhe é permitido nem sequer empate contra o lanterna Vitória. Derrota esquenta o banco de Abel.

O obstáculo do Corinthians, amanhã no Itaquerão, não é apenas o Atlético-MG, por si só dor de cabeça daquelas. A questão é superar desfalques e a costumeira falta de apetite para gols. A coleção de empates - 9 até agora - o deixa no bloco principal, mas distante do Cruzeiro. E o Cruzeiro? Bem, joga nesta quinta, no Mineirão, contra o Bahia, penúltimo colocado. Dúvida sobre favoritismo?

Vai ou racha. O Palmeiras tem confronto direto com ameaçado de rebaixamento, no caso o Criciúma. Só tem uma alternativa: ganhar. Qualquer coisa fora disso é desastrosa.

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