John G. Mabanglo /AFP
John G. Mabanglo /AFP

Conheça Trey Mancini, que voltou a jogar beisebol após superar um câncer

Jogador do Baltimore Orioles ficou de fora da temporada 2020 e voltou à ativa nesse ano

Rafael Sant'Ana, especial para O Estadão

14 de julho de 2021 | 09h51

O primeira base do Baltimore Orioles, franquia da MLB, a liga norte-americana de beisebol, Trey Mancini passou por algo que ninguém deseja. Ele foi diagnosticado no ano passado com câncer de cólon. O jogador de 29 anos teve a doença em estágio 3, e precisou perder toda a última temporada do beisebol para se tratar. 

Mas antes de falar de como ele enfrentou esse problema e voltou a ser um profissional, é preciso falar de sua relação com o esporte. Desde cedo, o menino de Winter Haven, Flórida, gostava mais do que tudo de rebater a bola. Com o passar do tempo, isso virou uma obsessão, e ele decidiu que começaria a acertar home runs.

De tanto treinar, Mancini aperfeiçoou sua técnica, que não era comum, mas eficiente. No último ano de ensino médio, ele rebateu com sucesso 48% dos arremessos que vieram em sua direção. Apesar disso, nenhuma faculdade de seus sonhos ofereceu uma bolsa, e a Universidade de Notre Dame se tornou a única alternativa. Mas com um detalhe: Mancini teria que se retirar das competições por um ano para evoluir como jogador e ter uma chance na equipe titular, o que nos Estados Unidos é chamado de 'redshirt'. 

Sem desistir, o jovem trabalhou até liderar o time em diversas categorias como um novato. O próximo passo seria a MLB. No seu terceiro ano de faculdade, o talentoso rebatedor esperava ser selecionado na terceira rodada do draft, mas acabou sendo escolhido pelos Orioles na oitava. Isso não importava. Sua confiança em si mesmo era maior do que tudo. Chegando no topo da cadeia, Mancini queria provar que pertencia àquele lugar. Precisou superar prospectos mais bem avaliados do que ele. Rebateu sete home runs nos primeiros 12 jogos que fez, sendo apenas o terceiro jogador desde 1913 a atingir isso. 

A franquia de Baltimore passava por uma reconstrução profunda, deixando o time sempre nas piores posições de sua conferência. Depois de se destacar em 2019, o ex-jogador de Notre Dame estava no caminho para se tornar um dos melhores na função. Os Orioles ofereceram a ele um contrato no final de sua segunda temporada de US$ 23 milhões (R$ 120 milhões). Mas ele recusou, pois acreditou que merecia mais. E embora não estivesse errado, a situação mudou em março de 2020.

 

Segundo o diagnóstico médico, havia uma massa em seu cólon, que tinha 99,9% de chance de ser cancerígena. Para ele e sua namorada, Sara Perlman, nada fazia sentido, já que um mês antes, Mancini havia se apresentado a pré-temporada dos Orioles. O jogador percebeu que vinha sentindo cansaço, mas pensava que era por causa de uma gripe. Por precaução, o time pediu que ele fizesse uma colonoscopia e uma endoscopia, porque seus níveis de ferro estavam baixos. Ninguém pensava que ele estava com câncer. Até que veio a confirmação de que Mancini tinha um tumor no cólon. Sara, sua namorada, entrou em desespero, mas ficou com o atleta durante toda a recuperação. Seus pais imediatamente foram ao hospital assim que souberam da notícia. 

Naquele momento, o beisebol não era o foco. Seu pai teve o mesmo tipo de câncer perto dos 60 anos, o que tirou um pouco das dúvidas de Trey após o diagnóstico. De qualquer forma, a mudança repentina o pegou de jeito. Ele testou negativo para síndrome de Lynch, algo comum para pessoas jovens que têm câncer de cólon. Depois de voltar para Baltimore e contar o que aconteceu a seus companheiros de equipe, Mancini fez a cirurgia de retirada do tumor no hospital Johns Hopkins. A data coincidia com uma mudança no mundo: o início da pandemia de coronavírus. Alguns dias depois, ele descobriu que o câncer havia se espalhado para os nódulos linfáticos. Passar pela quimioterapia era a solução. 

Mancini disse que "de todas as coisas, essa foi a notícia mais dura de receber, porque é assustador". "Você ouve a palavra quimioterapia e é simplesmente chocante", disse. Para se curar, ele decidiu alternar entre a casa de Sara, em Washington, e o hospital em Baltimore, onde ia a cada duas semanas. Precisou também tomar todo tipo de cuidado para não se infectar com a covid-19.

Felizmente, o jogador superou as sessões, com a ajuda da namorada e de um senhor de 64 anos que sobreviveu ao câncer duas vezes, com quem ele falava por telefone durante o tratamento. O momento mais claro de que o pesadelo estava no fim veio quando os médicos retiraram um dispositivo de seu peito que servia para regular o sangue. "Quando ele saiu (o dispositivo), foi como um sinal, metafórico e físico, que tinha acabado."

Poucos meses depois, Mancini voltou a treinar e fazer o que mais gosta: rebater bolas. Além disso, retornou à equipe no Spring Training dessa temporada, para a alegria de todo o time. Contribuindo nos Orioles, o atleta recebeu um convite especial da MLB para participar do Home Run Derby, que aconteceu na segunda-feira, quando ele ficou na segunda colocação, perdendo para Pete Alonso, do New York Mets. 

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