Consagrados, mas muito diferentes

Muricy Ramalho e Pep Guardiola têm em comum a coleção de títulos, mas o estilo é distinto: um gosta do futebol pragmático, o outro, adora o espetáculo

LUÍS AUGUSTO MÔNACO , ENVIADO ESPECIAL / YOKOHAMA, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2011 | 03h02

Muricy Ramalho e Pep Guardiola chegam a esta decisão como técnicos consagrados, respeitados e, principalmente, vencedores. Os estilos são diferentes, mas os resultados parecidos. Um é bravo, turrão, sempre de cara fechada e gosta de um estilo de jogo mais pragmático, vencendo no limite, de acordo com a necessidade. O outro é bom papo, sorridente, elegante, gosta de um jogo vistoso. Em comum, a facilidade em conquistar títulos.

Desde que chegaram ao Japão, vêm exibindo suas características. O fuso horário não tem deixado Muricy dormir pesado como costuma, mas nem as horas a menos de sono nem o fato de que hoje terá pela frente um time acostumado a triturar seus adversários foram suficientes para deixá-lo tenso ou de mau humor.

Na véspera do jogo que pode lhe dar o título mais importante de sua carreira, ele deixou de lado o jeitão carrancudo e as respostas cortantes. E em seu último contato com os jornalistas, numa concorrida coletiva no estádio, chegou até a fazer graça - como quando interrompeu uma resposta no meio ao se dar conta de que estava falando em espanhol: "Ai, meu Deus... Estou ficando maluco. Acho que a culpa é do fuso."

O tom de sua entrevista reflete a tranquilidade de quem sabe que não será esculhambado se seu time for derrotado. Como o Barça é cantado em prosa e verso como o melhor time do mundo e apontado como favorito destacado para levar o título, perder o jogo não será considerado uma tragédia.

Vencer, por outro lado, valorizará imensamente cada jogador e o tornará mundialmente famoso como o treinador que colocou de joelhos a máquina de Guardiola.

No discurso de ambos, o respeito é a tônica. "Eles são o melhor time do mundo, seu técnico é um dos três melhores e Messi é o melhor jogador. Mas, no futebol, o favorito também perde. Decidir o título em um jogo só é a nossa chance. Vamos jogar com coragem", filosofou Muricy. "Já ganhei quando era zebra. Espero que aconteça de novo."

Já Pep Guardiola precisou de menos de 48 horas para sair da condição de leigo sobre o Santos à de expert no time dirigido por Muricy Ramalho. No intervalo entre a coletiva que deu depois da vitória de quinta-feira sobre o Al-Sadd e a de ontem, ele mergulhou de maneira obstinada na observação de vídeos que mostram Neymar e companhia em ação.

"O fato de ser um time brasileiro já diz muita coisa. É uma equipe forte fisicamente, que ganha todas as divididas e é boa pelo alto. Tem qualidade técnica em todas as posições, é muito forte pela direita com os avanços de Danilo e conta com três jogadores que sobressaem aos outros: Ganso, Borges e Neymar. Será muito duro vencê-los."

O elogio é retribuído de imediato. "Os caras têm muitos jogadores de grande qualidade, não dá para marcar todo mundo", admite Muricy, mesmo sabendo que o Barça não terá o artilheiro David Villa, que fraturou a tíbia contra o Al-Sadd, do Catar.

Como Muricy também está entre os que apontam o Barça como favorito, e diz que "negar isso seria mentir", Guardiola não esconde uma dificuldade: fazer o time não sentir o peso de ser sempre considerado o favorito.

Pelos resultados em três anos e meio e o nível de jogo mostrado, não há dúvida de que tem sido bem-sucedido na tarefa de fazer a cabeça dos jogadores. E para o jogo de hoje, ele vai dizer: "Não é fácil ganhar a Libertadores nem os títulos que o Santos conquistou. Se não jogarmos em alto nível, eles poderão nos derrotar".

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