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Antero Greco
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Consciência alvinegra

Demorou um pouco, mas chegou o dia. Sem sofrimento, nem apreensão, tampouco angústia. Esses sentimentos fazem parte do passado, do folclore. O título era só questão de tempo, coisa de rodada mais, rodada menos. Todo mundo sabia, apesar de cautela aqui, precaução ali, contenção acolá. Bola cantada e decorada.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2015 | 02h00

Veio nos minutos finais da noite desta quinta-feira o sexto título do Brasileiro na história do Corinthians. Conquista merecida, anunciada há ao menos dois meses, taça valorizada pelo desempenho do Atlético-MG, o único a fazer sombra para a esquadra de Tite e rapazes. O fôlego dos demais acabou bem antes; o do Galo resistiu até o confronto direto, no início do mês, em Belo Horizonte, com vitória do campeão, 3 a 0 incontestáveis; o clássico mostrou quem tinha o comando do torneio.

Não tem essa de "campeonato manchado", como se insinuou nas primeiras rodadas do returno. Naquele momento, alguns erros de arbitragem prejudicaram várias equipes, mais até o Atlético-MG. Justo que os mineiros se sentissem prejudicados e reclamassem. Mas, daí a falar em competição marcada por falcatruas, vai um passo em falso e oportunista. Teve quem embarcou nessa onda e quebrou a cara na sequência da competição.

O Corinthians chegou à frente dos outros 19 concorrentes porque foi melhor. Só isso. Frase simples e óbvia, como simples e óbvia é a constatação de que a taça vai para quem soube como superar obstáculos. Não se trata de uma equipe extraordinária, assombrosa, de fazer cair o queixo do torcedor. Não costuma dar espetáculo, não semeia goleadas por onde passa.

Mas é eficiente, harmoniosa, equilibrada. Sem um craque, e com diversos jogadores bons em grande fase, a ponto de serem lembrados em bloco para compor a seleção brasileira. E com um treinador sereno, que moldou um conjunto consciente da própria força.

O Corinthians, por isso, colecionou argumentos para desmontar qualquer teoria de conspiração. Tem o maior número de vitória, o menor número de derrotas. O ataque é o mais ofensivo, a defesa é aquela que menos sofre gols. Ao menos uma dezena de jogadores marcaram ao longo da temporada. Também é um time comportado, com advertências abaixo da média. Que mais é preciso para reconhecer que a superioridade prevaleceu? Nada.

Não vale nem dizer que a faixa veio com pequeno carimbo pelo leve deslize em São Januário. O coerente, por tudo o que fez nas 34 rodadas anteriores, era outra vitória. Porém, como acumulou pontos mais do que suficientes para desgarrar-se, o empate não interferiu no fechamento das contas. Desastroso, mesmo, foi para o Vasco, que disputava outra decisão, jogava a alma na batalha para fugir do rebaixamento e continua amargurado no Z-4.

O quarteto da seleção entrou em campo - Cássio, Gil, Renato Augusto, Elias - e não foi bem. Cansaço? Provavelmente. Ansiedade? Pode ser. Eles ficaram aquém do habitual, como o restante do grupo. Ainda assim, festejaram, como é direito deles. Foram importantes, muito.

O Corinthians começou a farra no Rio e vai terminá-la em Itaquera, no domingo. O clássico com o São Paulo terá o aspecto especial de ser o da festa em casa, com a torcida. Um fecho de ouro para uma campanha digna, bonita e vencedora.

O São Paulo entrará em campo com sensação de dever cumprido, não pelo desdobramento que o resultado de ontem sobre o Atlético-MG (4 a 2) teve em favor do Corinthians. Mas por aquilo que fez por si próprio. Na reta final, passa a depender só de seu desempenho para ficar com uma vaga para a Libertadores.

Não precisará torcer para o Santos levantar a Copa do Brasil e eventualmente herdar um lugar no torneio sul-americano. Para ficar aliviado, o São Paulo passou sustos diante do Galo, esteve em desvantagem, mas encontrou forças para virar, vencer e festejar também o reencontro de Kardec com o gol (fez dois).

 

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