Conselheiro de Scheidt evoca Iemanjá

Duas medalhas olímpicas escaparam de Cláudio Bieckark, velejador de Finn: foi quarto colocado nas Olimpíadas de Montreal/76 e de Moscou/80. Mas vem comemorando junto com Robert Scheidt, os dois "crias" da represa Guarapiranga, em São Paulo. Cláudio conhece Scheidt desde que era criança. Começaram a trabalhar juntos em 1995, na preparação para a Olimpíada de Atlanta/96 (quando o brasileiro conquistou seu primeiro ouro). "Não existe o termo ´técnico´ na vela. O mais apropriado seria falar conselheiro. Sou mais um amigo em que ele confia, para trocar informações sobre adversários, a raia, ventos, correntes... O que posso ensinar para ele da classe Laser? Nada! Na verdade sou eu que aprendo."Bieckark mostrava feliz a etiqueta da camiseta "Odayá", uma saudação a Iemanjá e nome do barco da classe oceânica em que Scheidt corre em Ilhabela. Oficialmente a marca não pode aparecer. Teve de ser tapada, mas neste domingo o "conselheiro" arrancou a tarja preta para a regata do ouro.E desabafou, ao contrário de Scheidt: "Quatro anos depois, deu para desengasgar Sydney da garganta! Agora está dando para engolir (Scheidt perdeu o ouro na última regata da Olimpíada/2000, em disputa barco a barco com o inglês Ben Ainslie). Ele velejou com muita consistência." Para Cláudio, ter perdido o Mundial de Cádiz/2003 para o português Gustavo Lima também foi importante para Scheidt: "Ele ficou mordido. Não perdeu mais nenhum campeonato até agora (foram dez), chegando a sete títulos mundiais, ao segundo ouro olímpico. Se quiser, pode parar agora!"Só brincadeira. Scheidt não vai parar. Só não corre a Olimpíada de Pequim/2008 na Laser. Mas o Mundial da classe em Fortaleza/2005 ainda deverá ter na lista o nome do "Alemão".

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