Andrej Isakovic/AFP
Andrej Isakovic/AFP

Conselho aprova que Rússia recorra à CAS contra suspensão olímpica

Wada afirma que o país manipulou os dados laboratoriais de doping para encobrir atos ilícitos do passado

Redação, Estadão Conteúdo

19 de dezembro de 2019 | 10h32

A Rússia sinalizou nesta quinta-feira que entrará com um recurso contra sua suspensão olímpica de quatro anos, em sanção imposta pela Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês), que o presidente Vladimir Putin definiu nesta quinta-feira como "injusta".

O conselho de supervisão da Agência Antidoping da Rússia votou nesta quinta-feira para levar o caso à Corte Arbitral do Esporte (CAS), na Suíça. Na semana passada, a Wada afirmou que a Rússia manipulou os dados laboratoriais de doping para encobrir atos ilícitos do passado.

Putin disse que não é justo ameaçar a Rússia com mais punições por doping, e que qualquer sanção deve ser individualizada. "Eu acho que não é apenas injusto, mas não corresponde ao bom senso e à lei", afirmou.

O caso provavelmente será encaminhado à CAS em até 15 dias, disse Alexander Ivlev, presidente do conselho de supervisão da agência. Após um painel que julgará o caso ser escolhido, um veredicto será emitido dentro de três meses. "A bola estará na Wada e a questão será discutida em um contexto legal", afirmou Ivlev. "Consideramos a argumentação bastante forte e veremos como o problema se desenvolve".

A decisão desta quinta-feira deve ser aprovada por outro painel russo esportivo e antidoping, mas isso parece uma formalidade. A maioria dos membros do painel, incluindo o Comitê Olímpico da Rússia e o Comitê Paraolímpico da Rússia, disse ser favorável a uma apelação.

Figuras políticas importantes, incluindo Putin, também defendem a apresentação de um recurso. "Precisamos esperar com calma pelas decisões relevantes, incluindo a decisão do tribunal de arbitragem e saberemos em que posição estamos", disse Putin. "Os atletas russos estão treinando e continuarão treinando para todas as competições."

As sanções da Wada proíbem o uso do nome da equipe, da bandeira e do Hino Nacional russo em várias competições esportivas importantes nos próximos quatro anos, incluindo a Olimpíada de 2020 e a Copa do Mundo de 2022. No entanto, os atletas russos poderão competir como neutros se passarem por um processo de verificação que examina o histórico de testes antidoping e possíveis envolvimentos em encobrimentos de uso de substâncias proibidas.

Putin acrescentou que a proibição de quatro anos recomendada pela Wada para a Rússia sediar grandes competições terá pouco efeito, apontando para o Mundial Masculino de Vôlei de 2022, que o país pretende manter a sede. A Wada defende a alteração do país organizador a menos que seja "legal ou praticamente impossível" fazê-lo. Essa proibição já não se aplica à Eurocopa de 2020 e à final da Liga dos Campeões de 2021, ambas tendo São Petersburgo como sede, pois são campeonatos continentais.

A Rússia entregou o arquivo com os dados antidoping do seu laboratório em janeiro, em troca da anulação das sanções realizada em 2018. Os investigadores da Wada, porém, encontraram evidências o país estava editando intensivamente os dados nas semanas anteriores à entrega para remover sinais de problemas nos testes. A Rússia argumenta que qualquer edição foi o resultado de mudanças ilícitas feitas no exterior ou pela instabilidade do software de laboratório.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.