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Antero Greco
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Contra a corrente

O bom senso indica que o Corinthians é favorito ao título da Recopa no clássico de hoje com o São Paulo. Por obviedades: venceu a partida anterior (2 a 1), tem o retorno de titulares, vive em paz com a torcida e em maré mansa, ao contrário do adversário, agitado mais do que mar em ressaca. Se levar o troféu para o Parque São Jorge, diremos que deu a lógica e fez a obrigação no Pacaembu. Palpite molezinha de cravar, não requer esforço.

ANTERO GRECO, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2013 | 02h02

Mas quem falou que o futebol é marcado por fatos óbvios? Quem garante que a equipe em situação confortável sempre leva a melhor? Quantas vezes o Imponderável de Abreu não entrou em campo, aprontou e decidiu para o mais frágil? Aquele que nunca viu a ordem ser subvertida no joguinho de bola tem autorização para atirar o primeiro copinho d'água.

O São Paulo não aparece como o fortão no duelo - até o fanático de carteirinha sabe que se trata de constatação sensata, e não de menosprezo. Faz tempo que o balaio de gatos anda agitado, entre o Morumbi e o CT da Barra Funda, e os reflexos negativos se escancaram. Trocas de técnicos constantes, resultados frustrantes, jogadores que negam fogo, impaciência do público são evidências perturbadoras da fase ruim. Panorama pronto para tristeza.

Isso, no entanto, não é verdade absoluta. Os números deixam com a pulga atrás da orelha - cinco derrotas em seguida, várias expulsões, tensão -, porém não passam de algarismos. Indicam tendência, não situação irreversível. Há motivos para tricolinos (apelido simpático e infelizmente em desuso) terem esperança de se divertir esta noite com as previsões turvas.

O primeiro, e fundamental: por ser coletivo, o futebol comporta tantos fatores que derrubam teorias com ares de ciência. Cabe aos rapazes de Paulo Autuori darem um pontapé caprichado na desconfiança geral. Vou contra a corrente e não vejo o elenco são-paulino como uma draga total. Não tem a excelência que cartolas supõem, nem a falta de qualidade apontada por corneteiros. Está na média, não muito distante do próprio Corinthians.

A diferença essencial reside no emocional e no conjunto. A turma de Tite não encanta como no ano passado, não sustenta regularidade da Libertadores e do Mundial, mas compensa com entendimento, ok, nem sempre presente, como no tropeço diante do Atlético-MG no fim de semana. Apesar de baixas (a de Paulinho, sobretudo), ainda há afinação, confiança e, por enquanto, ausência de pressão. Derrota não equivalerá ao fim do mundo, mesmo que também provoque reuniões de avaliação.

O ressurgimento do São Paulo passa muito por reforço no sistema defensivo, pela estabilidade de Lúcio e Juan, pela ajuda dos marcadores do meio-campo. A reviravolta no baixo astral depende da criatividade de Jadson, da velocidade de Osvaldo, da pontaria de Luis Fabiano e do despertar de Ganso. Rapaz bom de bola, esse, que precisa de um chacoalhão e tanto, além de um açaí com farinha de tapioca, um bom prato de maniçoba, um suco de graviola e um sorvete de bacuri! Ou seja, de comidas de casa, do Pará.

Arrisca prognóstico, seco?

Galo em Assunção. Nada de ufanismo, mas não será espanto se o Atlético-MG voltar do Defensores del Chaco a acariciar a Libertadores, taça que virou obsessão nacional. O Olimpia exibe currículo de respeito (três títulos continentais e três vices), dá um trabalho do cão em casa e conta com time ajustado. O Galo não fica atrás nos dois últimos quesitos (se bem que não jogará a finalíssima no Independência, como queria).

Importa não inventar neste momento. Cuca e atletas devem seguir o figurino das etapas anteriores, em que com frequência souberam se impor. Como? Com estilo atrevido, altivo, seguro, a ser mantido mesmo com o desfalque de Bernard. O representante brasileiro tem condições de fazer a festa na semana que vem. Para tanto, só não pode levar surra nem esquentar a cabeça ou encarar a decisão como guerra.

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