...contra a tropa de elite do São Paulo

Se o Palmeiras depende, principalmente, dos gols do artilheiro Alex Mineiro, o São Paulo confia na força do conjunto para triunfar no clássico do ano, domingo, no Palestra Itália. Sem um matador, os gols do time são partilhados por 15 jogadores do elenco. Fórmula que se mostra eficiente, já que ostenta o melhor ataque do Brasileiro. "É complicado depender de um jogador para fazer os gols ou jogar em função de uma pessoa só, que pode não atuar ou estar num dia ruim. No nosso caso é diferente. Temos vários jogadores que sabem fazer gols e cada um pode decidir num momento diferente", diz o meia Hugo.E não é por acaso que o artilheiro do time na competição, com 10 gols, fala isso. Neste ano, o São Paulo sofreu bastante no primeiro semestre por depender de Adriano. Quando ele não estava em um bom dia, o time não conseguia vencer nem jogos teoricamente mais fáceis. "Nossa maior estrela é o conjunto. Quando entramos bem definidos e determinados, nosso time fica muito forte", analisa o volante Hernanes. "Numa equipe de futebol, quanto mais pessoas decidirem, melhor", acrescenta o também volante Jean.Só o técnico Muricy Ramalho não concorda muito. Ele gostaria de ter na equipe um jogador como Alex Mineiro, ou mesmo como o santista Kléber Pereira, artilheiro do Brasileiro com 20 gols. A falta de um atacante com esse perfil fez com que o treinador apostasse em outra maneira de jogar. "É bom ter um artilheiro. O problema é que não temos um nato. Faz falta, mas, como não temos um homem na área para fazer sempre os gols, eu trabalho para os que chegam de trás ficarem mais próximos para marcar", diz.Essa proposta de jogo faz com que, por exemplo, os atacantes vivam um inusitado jejum. Há quatro jogos, ninguém da posição marca. André Dias, Jancarlos, Rodrigo, Jean, Jorge Wagner e Hernanes fizeram os gols contra Cruzeiro, Ipatinga e Náutico. E ainda teve o 0 a 0 com o Sport. "Eu só me preocupo quando não sai o gol. Se quem marca é o Rogério Ceni ou o Marco Aurélio Cunha (superintendente de futebol), está bom. O feio é não fazer. Eu quero ganhar, e não saber quem marcou os gols", brinca Muricy.O mesmo discurso adota Borges. "O que vejo de positivo em tudo isso é que, independentemente de quem faça, os gols estão saindo. Temos hoje o melhor ataque", lembra o jogador, que tem 8 gols no Brasileiro e 18 no ano, mas não marca desde 6 de setembro, no empate com o Atlético-MG. "O São Paulo vive do coletivo, não do individual. Se conseguir dar passes que ajudem nas nossas vitórias, está ótimo", afirma. "O mais importante é o time sair vencedor. Mas, se tiver chance, vou fazer. Não fujo da raia."

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