Contra protestos, China vive surto de patriotismo

A China criticou na terça-feira osmanifestantes que realizaram protestos na passagem da tochaolímpica por Paris e Londres, ennquanto a imprensa estatal eautoridades alertaram que os sabotadores não conseguirãomacular a imagem da China. Dirigentes olímpicos também lamentaram os protestos, masdisseram que a tocha manterá seu trajeto ao redor do mundo. Na segunda-feira, os organizadores tiveram de apagar atocha e guardá-la em um ônibus devido aos protestos em Pariscontra a repressão chinesa no Tibet. Na véspera, em Londres, ativistas agitando bandeirastibetanas e slogans contra a China também transformaram oevento numa complicada corrida de obstáculos. A China qualificou esses incidentes de "vis", e, deixandosua reticência de lado, as TVs e jornais estatais mostraram osprotestos e as reações negativas da platéia. "Expressamos nossa forte condenação à perturbaçãodeliberada do revezamento da tocha olímpica por parte de forçasseparatistas da 'independência do Tibet"', disse Jiang Uu,porta-voz da chancelaria, em nota. Numa entrevista posterior, ela disse que Pequim mantinha"estreita cooperação" com autoridades dos EUA para que hajasalvaguardas em São Francisco, próxima etapa do evento. "Tambémestamos confiantes de que, por meio de nossos esforçosconjuntos, o revezamento da tocha nos Estados Unidos transcorracom segurança e tranquilidade", afirmou a porta-voz. "Também alertamos grupos e elementos que tentem perturbar esabotar o revezamento da tocha que seu objetivo --de usar aOlimpíada para fins inconfessáveis, denegrir e pressionar aChina-- é absolutamente inalcançável." Sun Weide, porta-voz da Olimpíada de Pequim, disse ajornalistas que as manifestações em Paris foram "umablasfêmia". A repressão a manifestações contra o domínio chinês noTibet, no mês passado, provocou indignação mundial. A Chinaatribui os distúrbios, que se espalharam para provínciasvizinhas, ao Dalai Lama, líder espiritual exilado dostibetanos, que nega envolvimento. O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI),Jacques Rogge, pediu aos manifestantes que respeitem a chamaolímpica, por ser um símbolo de unidade. "Respeitamos as pessoas que querem protestar, isso éliberdade de expressão", disse Rogge em entrevista publicada naterça-feira pela imprensa chinesa. "Entretanto, quem quiserprotestar tem de ser pacífico, não aceitamos violência.Aceitamos protesto, não aceitamos violência."

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