Contrastes marcam golfe brasileiro

O golfe brasileiro é caracterizado por contrastes que se revelam no 3.º Torneio Audi, que reúne, de hoje a domingo, 20 profissionais e 160 amadores no novo campo de 18 buracos do Alphaville Graciosa, em Pinhais, inaugurado em junho, a cerca de 15 quilômetros de Curitiba (PR). Entre os golfistas que disputam o Pro-Am (profissional e amador) estão personagens como Virlei da Silva, 27 anos, que viu abertas as portas do golfe profissional quando foi trabalhar como caddie (o carregador da sacola com os tacos), e Erick Anderson, de 32 anos, vice-líder do ranking de 2001 da Confederação Brasileira de Golfe (CBG), que é filho de suecos, pais golfistas, e tem contato com o esporte desde menino. Virlei, que se tornou profissional há cinco anos - atualmente, além de jogar é instrutor do clube Curitibano, em Quatro Barras (PR) - observa que, no Brasil, ainda faltam oportunidades, como a que marca sua vida - aos 11 anos, foi trabalhar como caddie porque o seu pai, tratorista, arranjou emprego em uma chácara que ficava em frente ao Curitibano. "Tudo é questão de oportunidade. O golfe está crescendo no Brasil, mas ainda é um esporte fechado, ligado a elites", afirma Virlei, que vê na abertura de campos públicos a forma de "popularizar" a modalidade, tornando o País mais competitivo internacionalmente. Na sua opinião, os torneios e programas mostrados pelas tevês a cabo (ESPN, SporTV e PSN), a existência de duas revistas e de vários sites na internet estão estimulando o crescimento do golfe bacional, assim como os novos campos ligados a empreendimentos de condomínios e resorts. "Mas ainda não é popular." Erick Anderson, que aprendeu a jogar aos 4 anos (como muitos meninos suecos), é profissional desde 1991 - disputou o Challenger Tour Europeu, de 1997 a 2000 e foi o segundo do Brasil no Dinners Club Golf Tour (circuito de seis etapas) este ano. Instrutor no Itanhangá Golf Club, no Rio, observa que o esporte, no País, ganha adeptos entre os jovens, principalmente após a inauguração do campo público do Aeroporto, em São Paulo, este ano. "Lá eles usam a green fee (taxa de utilização) e existe driving range (onde aprende-se a tacada)", observa Erick. Concorda que o número de campos cresceu, mas em condomínios e resorts, "ainda longe da massa". A Associação Brasileira de Profissionais do Golfe afirma que o País tem 12 mil praticantes registrados, 172 deles profissionais. Para Erick, para ser competitivo internacionalmente, como tenta o promissor golfista brasileiro, Alexandre Rocha, de 23 anos, é necessário fazer torneios nos Estados Unidos e Europa. Alexandre mora e compete nos Estados Unidos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.