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Antero Greco
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Conversa de botequim

O Paulistão anda numa marcha lenta que vou te contar. Pra variar, a gente tem visto aquele monte de jogos sem muito sentido. Exceções ficam para a campanha surpreendente do Botafogo, para o Palmeiras embalado depois de amargar a Série B nacional, e para o Santos, com um ataque que tomou gosto de golear.

ANTERO GRECO, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2014 | 02h04

Só agora, na 14.ª e penúltima rodada da fase de classificação, apareceu algo para esquentar o tempo e animar discussões de botequim. O tema não é novo, longe disso, mas serve para espantar o marasmo de sequência de resultados mais ou menos esperados nos duelos disparatados entre os grandes e os pequenos.

Como o delicado leitor saber, o destino do Corinthians, de certa maneira, está nas mãos (ou nos pés) do São Paulo. Com 20 pontos ganhos, o poderoso alvinegro, que já treina em casa nova, não depende apenas de seus esforços para seguir adiante no torneio estadual. Hoje enfrenta o Penapolense e, além de fazer a parte que lhe cabe, torce por tropeço do Ituano (22) no duelo com os tricolores. Uma ajudinha de Osvaldo, Luís Fabiano, Rogério e colegas será muito bem-vinda no Parque São Jorge.

Aí a porca torce o rabo. Já vi são-paulino prometer que irá ao Morumbi, logo mais à tarde, para incentivar seus ídolos a, digamos, não se esfalfarem em campo. Com a classificação garantida para as quartas de final, e com um olho na Copa do Brasil, preferem que os rapazes se resguardem contra o esquadrão de Itu. Em palavras diretas, sem dourar a pílula: querem que o time entregue o ouro, se isso complicar a vida de Mano Menezes e pupilos.

Poderia gastar tutano e papel, aqui, a vociferar contra esse comportamento. Fica implícito que não aprovo maracutaias e sempre defenderei a lisura. Mas, caramba, a cabeça do torcedor faz esses contorcionismos morais. E tem lá sua lógica, perversa e compreensível, sob a ótica da rivalidade. Se até isso tirarmos do futebol, melhor proibir comemorações, gozações e provocações.

Essa a parte do lado de fora. O que se espera de quem vai para o campo é empenho, por honestidade pessoal e profissional. E não coloco em dúvida a lhaneza (sempre quis usar essa palavra, tão chique) do elenco comandado por Muricy Ramalho - e evidentemente dele próprio. Se não fosse pelos aspectos morais, há o lado prático: ao São Paulo interessa engordar a pontuação para obter eventual vantagem nas próximas etapas da competição. Com 24 pontos, está atrás, por exemplo, dos três times que citei no parágrafo inicial. Isso já é motivo suficiente para que emperre pretensões do Ituano, mesmo se entrar com formação mista.

O foco nem deveria ser o São Paulo, mas o Corinthians. Este não cumpriu o roteiro adequado e à altura da história no Paulista. A série em que amargou secura arrasta reflexos negativos nestas rodadas restantes. Demorou para que técnico e jogadores se afinassem. Os resultados satisfatórios enfim vieram, e ainda há tempo para a vaga. Não é fora de propósito. Noves fora o momento de apreensão, há progresso na equipe, Jadson virou realidade logo, o meio-campo se ajusta, a defesa igualmente. A tendência é crescer, pelo menos na Copa do Brasil.

Crise no vôlei. Durante muito tempo, o vôlei brasileiro se apresentava como mar sereno, em que todos navegavam em águas tranquilas. Mesmo se havia indícios de tensão, uma diligente tropa de choque entrava em ação para desfazer mal-entendidos. Era uma grande família - e diversas vezes, como chefe de reportagem ou editor de Esportes, questionava colegas a respeito da couraça protetora em torno da modalidade.

A máscara caiu, após reportagens contundentes do colega Lúcio de Castro, da ESPN. Negócios nebulosos respaldados por dirigentes, que deles se beneficiaram, prejudicaram um esporte vencedor e com aura de austeridade. O presidente da CBV demitiu-se. Falta, agora, ver se o dinheiro volta para onde deveria estar.

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