Issei Kato|Reuters
Bola usada no Mundial de Rúgbi Issei Kato|Reuters

Bola usada no Mundial de Rúgbi Issei Kato|Reuters

Copa do Mundo de Rúgbi começa com sucesso de público e grandes potências, com os All Blacks

Japão recebe o evento pela primeira vez e todos os ingressos para as 48 partidas estão esgotados; Brasil não participa

Paulo Favero , O Estado de S. Paulo

Atualizado

Bola usada no Mundial de Rúgbi Issei Kato|Reuters

O terceiro evento esportivo de maior audiência no mundo, atrás apenas da Copa do Mundo de futebol e dos Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo de Rúgbi começa nesta sexta-feira, às 7h45 (horário de Brasília), com o duelo entre os anfitriões Japão e a Rússia. O Estado divulga toda a programação inicial. Mesmo antes de começar, a competição já é um grande sucesso, com todos os ingressos vendidos e projeção de 500 mil turistas estrangeiros para acompanhar a disputa. No Brasil, a ESPN vai transmitir o torneio pela TV fechada e os jogos também poderão ser acompanhados pela plataforma de streaming WatchESPN.

Serão 20 seleções na disputa do cobiçado título, entre elas a favorita Nova Zelândia, maior potência da modalidade, o time dos All Blacks, e outras fortes equipes que podem chegar bem longe, como Austrália, África do Sul, Irlanda, Inglaterra, País de Gales, França e Escócia. A Argentina também chega bem na competição e quer repetir a boa campanha da última edição, quando chegou às semifinais. Teste aqui o seu conhecimento sobre a seleções participantes do torneio.

O Brasil não está presente no evento e sonha conquistar sua vaga inédita na próxima edição. "Tenho confiança de que em 2023 o Brasil estará na França disputando um Mundial pela primeira vez", explicou Eduardo Mufarej, presidente da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu) e que estará no Japão representando a entidade.

"A CBRu vai ao Japão para a assembleia que congrega as uniões nacionais de rúgbi no dia 31 de outubro. Além disso, também realizaremos eventos locais como os 'Rugby Days' em parceria com a Japan House e o consultado do Japão em São Paulo", continuou o dirigente, lembrando que a Copa do Mundo vai até 2 de novembro, quando será disputada a decisão em Yokohoma.

Pela primeira vez a competição será disputada na Ásia e em um país de poucas tradições na modalidade. Mas os torcedores abraçaram o evento, que serve como um teste para grande público antes dos Jogos Olímpicos em Tóquio, em 2020. Todos os ingressos para as 48 partidas nos 12 estádios foram vendidos, gerando uma receita de US$ 323,5 milhões (R$ 1,32 bilhão).

Pela boa organização e empolgação dos torcedores, a expectativa é que esta seja a Copa do Mundo de Rúgbi mais bem-sucedida da história. Até por isso, as perspectivas dos japoneses é que o impacto ecônomico do evento seja superior a US$ 1,24 bilhão (R$ 5,08 bilhões). No campo, essa empolgação diminui, pois a seleção do país asiático não deve chegar tão longe no torneio.

Sem a presença do Brasil, o torcedor amante do rúgbi vai ter de escolher outra seleção para vibrar. Segundo Mufarej, uma curiosidade chama a atenção. "Eu destacaria que grande parte do contingente brasileiro tende a apoiar a Argentina, o que em outros esportes é quase impensável", comentou o presidente da CBRu.

Ele lembra que, pouco depois da Copa do Mundo no Japão, os principais atletas do evento estarão no Brasil. No dia 20 de novembro, os Tupis vão enfrentar os Barbarians, uma espécie de "time dos sonhos" mundial, no Morumbi. Será uma ótima oportunidade para o torcedor ver de perto os jogadores que vão brilhar nos gramados japoneses.

"Além do contingente de turistas e fãs brasileiros que irão ao Japão, cabe destacar que todas as partidas serão transmitidas ao vivo para o Brasil. Duas semanas após o término da Copa do Mundo as maiores estrelas daquela competição virão ao Brasil para vestir a camisa dos Barbarians contra a seleção brasileira", disse Mufarej.

No Brasil, a modalidade vem crescendo a cada ano e no mundo ganhou muita fama após o lançamento em 2009 do filme Invictus, que conta a história da vitória da África do Sul na Copa do Mundo de Rúgbi de 1995, quando Nelson Mandela teve uma participação revelavante. Jogando em casa, a seleção não só venceu como ajudou a unir um país rachado pelo Apartheid. O time era chamado de Springboks.

 

FORMATO DE DISPUTA

Na primeira fase, a Copa do Mundo de Rúgbi terá 20 equipes divididas em quatro grupos. No A estão Irlanda, Escócia, Japão, Rússia e Samoa. O Grupo B conta com Nova Zelândia, África do Sul, Itália, Namíbia e Canadá. Já o Grupo C terá Inglaterra, França, Argentina, Estados Unidos e Tonga. E, por último, a chave D tem Austrália, País de Gales, Geórgia, Fiji e Uruguai.

As seleções se enfrentam no sistema todos contra todos dentro do próprio grupo e as duas mais bem colocadas de cada chave se classificam para as quartas de final. Nesta fase, os primeiros de cada chave enfrentam os segundos colocados, sendo A x B e C x D. Os vencedores fazem a semifinal e quem avançar disputará a decisão em Yokohama.

CONFIRA TODAS AS PARTIDAS DO TORNEIO E OS HORÁRIOS (ESPN)

Data         Hora (Brasília)    Partidas

20 de setembro    07:45    Japão x Rússia

21 de setembro    01:45    Austrália x Fiji

21 de setembro    04:15    França x Argentina

21 de setembro    06:45    Nova Zelândia x África do Sul

22 de setembro    02:15    Itália x Namíbia

22 de setembro    04:45    Irlanda x Escócia

22 de setembro    07:15    Inglaterra x Tonga

23 de setembro    07:15    País de Gales x Geórgia

24 de setembro    07:15    Rússia x Samoa

25 de setembro    02:15    Fiji x Uruguai

26 de setembro    04:45    Itália x Canadá

26 de setembro    07:45    Inglaterra x Estados Unidos

28 de setembro    01:45    Argentina x Tonga

28 de setembro    04:15    Japão x Irlanda

28 de setembro    06:45    África do Sul x Namíbia

29 de setembro    02:15    Geórgia x Uruguai

29 de setembro    04:45    Austrália x País de Gales

30 de setembro    07:15    Escócia x Samoa

2 de outubro    04:45    França x Estados Unidos

2 de outubro    07:15    Nova Zelândia x Canadá

3 de outubro    02:15    Geórgia x Fiji

3 de outubro    07:15    Irlanda x Rússia

4 de outubro    06:45    África do Sul x Itália

5 de outubro    02:15    Austrália x Uruguai

5 de outubro    05:00    Inglaterra x Argentina

5 de outubro    07:30    Japão x Samoa

6 de outubro    01:45    Nova Zelândia x Namíbia

6 de outubro    04:45    França x Tonga

8 de outubro    07:15    África do Sul x Canadá

9 de outubro    01:45    Argentina x Estados Unidos

9 de outubro    04:15    Escócia x Rússia

9 de outubro    06:45    País de Gales x Fiji

11 de outubro    07:15    Austrália x Geórgia

12 de outubro    01:45    Nova Zelândia x Itália

12 de outubro    05:15    Inglaterra x França

12 de outubro    07:45    Irlanda x Samoa

13 de outubro    00:15    Namíbia x Canadá

13 de outubro    02:45    Estados Unidos x Tonga

13 de outubro    05:15    País de Gales x Uruguai

13 de outubro    07:45    Japão x Escócia

19 de outubro    04:15    Quartas C1 x D2

19 de outubro    07:15    Quartas B1 x A2

20 de outubro    04:15    Quartas D1 x C2

20 de outubro    07:15    Quartas A1 x B2

26 de outubro    05:00    Semifinal Qf1 x Qf2

27 de outubro    06:00    Semifinal Qf3 x Qf4

1º de novembro    06:00    Disputa do 3º lugar

2 de novembro    06:00    Final

 

 

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Técnica do Brasil no rúgbi paralímpico, Ana relata preconceito e assédio na modalidade

No cargo desde 2016, ela é a primeira mulher a comandar a seleção do País

João Prata, enviado especial a Lima, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2019 | 14h52
Atualizado 05 de setembro de 2019 | 14h45

Ana Ramkrapes é a primeira técnica a comandar um time de rúgbi em cadeira de rodas no País. Desde 2016 está à frente da seleção brasileira da modalidade com um projeto de trabalho que visa os Jogos Paralímpicos de Tóquio-2020. Nesta sexta-feira, a equipe estreou com vitória no Parapan de Lima ao bater a Colômbia por 48 a 41 em um jogo tranquilo.

O esporte é misto, mas Ana comanda uma equipe formada por 12 homens. Estar em um cargo de chefia em um espaço majoritariamente masculino é tarefa árdua. Além de se impor em meio a seus jogadores, ela convive constantemente com o machismo. "Infelizmente a mulher precisa sempre estar um passo a frente para mostrar seu valor. Brinco com meu auxiliar, Manoel, que cada informação que eu dava no início era uma defesa de tese. Tinha que medir cada palavra, deixar muito claro a importância de cada frase para ganhar confiança", disse em entrevista ao Estado.

Formada em Educação Física pela Unicamp, ela conheceu o rúgbi em cadeira de rodas nos primeiros anos da universidade. Ela conta que foi paixão à primeira vista. O início foi como estagiária na preparação física. Pouco depois, teve a ideia de criar um time, o Gigantes, em 2013, e se tornou treinadora. Hoje essa equipe é a base da seleção brasileira.

Os primeiros meses no cargo de técnica foram complicados. Ana pedia para que seu auxiliar falasse em seu lugar por vergonha. "Me sentia insegura. Mas ele me respondia: 'Fala você. Você tem que conquistar seu espaço, estou do seu lado'", lembrou. "Sentia que quando eu falava alguma coisa, dava uma informação nova, era pouco assimilada pelos jogadores. E percebia que quando ele falava os atletas ouviam mais. Precisei mudar o tom de voz, ser um pouco mais dura para ser respeitada." 

NO GRITO

Quem vê hoje Ana no banco de reservas da seleção nota essa transformação. Ela grita, gesticula e é prontamente atendida. Em um jogo do Campeonato Brasileiro deste ano, quando sentiu que a comunicação estava complicada com sua equipe, arrumou uma cadeira de rodas e passou o jogo inteiro indo e vindo, de um lado ao outro, berrando na mesma altura, de igual para igual com os atletas, todos tetraplégicos.

O respeito de toda a seleção, ela sente que conquistou recentemente, durante uma competição na Polônia, em julho. "Foi quando ouvi de um atleta: 'se você está falando é porque você sabe'. A convivência também ajuda. Foram cinco semanas de treinamento neste ano. Consegui ir conquistando. As vezes me deparo com situações que me incomodo como mulher."

VÍTIMA DE ASSÉDIO 

Durante esse torneio europeu, ela foi assediada. "Um dos staffs de outro país tentou ter um contato físico. Tentou passar a mão em mim, uma coisa muito sexista. Não tive reação na hora. Os meninos que foram atrás do cara, queriam agredi-lo. Foi horrível. Por outro lado vi que os meninos me entendem, me protegem. Mas é uma pena, porque não queria que me protegessem e só que me respeitassem", afirmou.

A maioria dos técnicos dos outros times acha que o Manoel é o treinador brasileiro e costumam falar com ele antes dela. "Aí você vê que nunca acham que a mulher é a primeira no comando. Realmente não sei o que me puxa tão forte para essa modalidade. Não tem o que explicar. A seleção brasileira hoje é um clima muito bom, de família mesmo. Recebo os meninos em casa, somos muito próximos."

A arbitragem é outro empecilho. "Sinto que tem diferença sim. Teve uma vez que a situação me beneficiava, mas disse ao árbitro que estava errado. Ele não me escutou. O técnico do outro time veio, trouxe o estatístico e aí o árbitro então mudou a súmula, que é o documento oficial, que é algo que não se muda", exemplificou.

Por enfrentar tantas dificuldades somente pelo fato de ser mulher, há momentos em que ela pensa em desistir. Logo depois da viagem a Polônia, onde o Brasil terminou em quarto lugar, Ana cogitou pedir demissão, mas foi impedida pelos atletas. "Chorei muito e fui conversar com os meninos porque parecia que o fato de eu ser mulher estava atrapalhando o time. Mas eles ficaram do meu lado. E disseram que se for isso, tudo bem, pois preferem perder comigo no comando. Isso me deu forças para seguir e espero evoluir ainda mais para os Jogos de Tóquio."

A seleção brasileira do rúgbi em cadeira de rodas tem melhorado seu desempenho nos últimos anos. Ana assumiu com a equipe em 19º lugar do ranking mundial. Três anos depois, saltou dez posições e ocupa a nona colocação. No Parapan de Lima os principais adversários são os Estados Unidos, a Colômbia e o Canadá. O objetivo é recuperar a medalha que o time deixou escapar em Toronto-2015.

AS REGRAS DO RÚGBI EM CADEIRA DE RODAS

O rúgbi em cadeira de rodas ocorre em quadras de 15m de largura por 28m de comprimento. São quatro períodos de oito minutos cada. O objetivo é passar a linha do gol com as duas rodas e a bola nas mãos. São quatro atletas para cada lado e oito reservas. Os times podem ter homens e mulheres, contanto que sejam tetraplégicos. Os jogadores são divididos em sete diferentes classes, que variam de 0,5 a 3,5. O time em quadra não pode ultrapassar a soma total de 8.

 

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