Nigel Marple/Reuters
Nigel Marple/Reuters

'Copa do Mundo de rúgbi tem charme especial na Nova Zelândia'

Antônio Martoni, ex-técnico da seleção brasileira, fala sobre suas expectativas para o torneio

Paulo Favero, estadão.com.br

08 de setembro de 2011 | 16h07

SÃO PAULO - Antônio Martoni, ex-técnico da seleção brasileira masculina de rúgbi e atual coordenador de alto rendimento masculino da Confederação Brasileira, acha que a Copa do Mundo de rúgbi terá um charme especial por ser disputada na terra dos melhores do planeta, a Nova Zelândia. Ele será comentarista das transmissões da ESPN e falou um pouco sobre suas expectativas para o torneio. Confira a entrevista exclusiva:

Qual a expectativa para o início da Copa do Mundo de rúgbi?

As melhores possíveis. O rúgbi hoje é o segundo esporte mais jogado no mundo, a Copa do Mundo é o terceiro maior evento do planeta, pois fica atrás somente dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo de futebol. Esta também será a terceira Copa do Mundo que faço pela ESPN, como comentarista, e por ser na Nova Zelândia tem todo um charme especial, afinal de contas ela está para o rúgbi assim como o Brasil está para o futebol.

Quais seleções estão melhores preparadas para a disputa?

Existe hoje no mundo do rúgbi uma paridade entre as equipes. Mas acredito que, por ordem, as favoritas são: Nova Zelândia, Austrália, África do Sul (atual campeã), Inglaterra e França. Correndo por fora, com chances remotas, aparecem Argentina, Irlanda, País de Gales, Samoa e Fiji.

Que jogadores devem se destacar no torneio?

O rúgbi é um esporte extremamente coletivo, onde todos atacam e defendem. Por melhor ofensivamente que seja o atleta, se ele não defender, não joga, pois compromete demais sua equipe. Por causa disso, falar em individualidades é difícil, mas alguns nomes podem brilhar muito neste Mundial, por ordem: Quade Cooper (posição: abertura, camisa 10 da Austrália), Dan Carter (posição:abertura, camisa 10 da Nova Zelândia), Sonny Bill Willians (posição: centro, Nova Zelândia), Manu Tuilagi (posição: centro, camisa 13 da Inglaterra), François Trinh Duc (posição, abertura, camisa 10 da França), Bryan Habana (posição: ponta, camisa 11 da África do Sul), Will Genia (posição: scrum-half, camisa 9 da Austrália), Brian O'Driscoll (posição: centro, camisa 13 da Irlanda).

Como você vê a evolução do esporte no Brasil?

O Brasil sempre teve jogadores brilhantes, porém a estrutura do esporte sempre foi precária. Com a inclusão do rúgbi nos Jogos Olímpicos, o esporte vem tendo mais visibilidade no Brasil e consequentemente mais interesse da mídia e dos patrocinadores. Tendo recursos para infraestrutura e profissionalização do esporte, o Brasil tem tudo para ser uma potência. Atualmente, o rúgbi feminino do Brasil é heptacampeão Sul-americano e está em 10º no ranking mundial de Seven a side (modalidade olímpica). No masculino, o Brasil tem progredido de forma brutal: neste ano conseguiu vaga para o Pan de Guadalajara, venceu a Argentina pela primeira vez na história e fez brilhante temporada em Londres, também no Seven a side.

Em quantos anos o Brasil terá condições de participar da Copa do Mundo de rúgbi?

O rúgbi de XV (mais tradicional e famoso no mundo inteiro) é ultraprofissional. Então, enquanto o Brasil não profissionalizar o rúgbi, será muito difícil obter uma vaga. Não impossível, mas extremamente complicado. Acredito que o Brasil chegará ao Mundial do Japão em 2019, independentemente de ser amador ou profissional, mas os resultados na Copa dependerão exatamente do estágio financeiro que o rúgbi apresentará no Brasil.

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